Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 jan

Medidas iniciais de Caiado, além de poucas, são desconexas, tímidas e não vão gerar qualquer economia significativa ou levar a uma racionalização do governo do Estado

Para quem esperava uma arrancada capaz de realmente sinalizar a “mudança” prometida na campanha, as medidas iniciais do governo de Ronaldo Caiado – já no seu nono dia – podem ser classificadas como desconexas, tímidas e incapazes de gerar uma economia significativa ou mesmo um avanço na racionalização operacional do governo do Estado.

 

Caiado tem reclamado da cobrança por ações mais efetivas e passou a se defender com o pouco tempo de mandato, uma semana e meia, conforme suas declarações na live que promoveu no início da noite desta terça-feira, 8 de janeiro, no Facebook – em que se esforçou para vender a imagem de uma entrevista ou conversa sem censura e totalmente livre, apesar das perguntas amigáveis formuladas ou escolhidas a dedo entre os questionamentos postados pelos seguidores nos comentários ou até elogiosas, comprometendo a credibilidade da entrevista.

 

Foram assinados dois decretos, um demitindo todos os funcionários comissionados (foram abertas algumas exceções nominais, que precisam ser explicadas) e outro determinando providências para a redução de despesas, seguindo o padrão de todos os governos anteriores. Fora isso, parte da equipe de auxiliares continua em aberto, enquanto o governador se debate com o imbroglio da folha de pagamento de dezembro, que ainda não tem nenhuma solução à vista. Até agora, é a isso que se resume a gestão.

 

É indiscutível que o novo governador está no comando há muito pouco tempo e que não é possível esperar muito de um prazo tão pequeno quanto esse. Mas… parece que a agenda implantada tem sido excessivamente negativa. Isso vai contra o discurso de confiança que Caiado desfiou na campanha, continuou desde a vitória nas urnas até a posse e segue mais vivo do que nunca, conforme se viu na tal live no Facebook. Goiás está sendo reduzido a um amontoado de problemas. E o que está sendo encaminhado, até agora, é insuficiente para economizar despesas – o decreto de redução de gastos é genérico e não planilha matematicamente o quanto será diminuído, dando a impressão de não passar de uma manifestação de boas intenções. Menos ainda foi dado qualquer passo ou emitido algum direcionamento no sentido da adoção de soluções para melhorar ou no mínimo racionalizar o funcionamento do Estado.

 

Que o novo governo precisa começar, precisa.