Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

22 jan

Erros e derrapadas de Caiado, ainda que continuem por mais tempo e até o levem a fazer um governo fraco, não vão trazer ressurreição de Marconi, cujo desgaste corresponde a alguém que caiu do 30º andar

O ex-governador Marconi Perillo sempre teve um defeito: no poder, que exerceu como um semideus por 20 anos, gostava mais de ouvir bajuladores do que recolher opiniões críticas. Na planície, depois tomar uma surra humilhante nas urnas (ficou em 5º lugar para o Senado), ele continua cercado por esse mesmo tipo de áulicos – aqueles que hoje trombeteiam o seu resgaste para a política a partir dos erros e trapalhadas que o governador Ronaldo Caiado está cometendo e que podem até levá-lo a fazer uma gestão mediana ou mesmo ruim.

 

Só que isso jamais trará reflexos positivos para Marconi nem muito menos garantirá a sua ressurreição para a política: os danos que a imagem dele sofreu com a fadiga de poder, o discurso equivocado, os escândalos de corrupção, a derrota nas urnas e finalmente a prisão correspondem, metaforicamente, aos de alguém que caiu do 30º de um prédio. Não sobra muita coisa.

 

A criatura Zé Eliton, se tivesse elã para a política, teria muito mais chances de volta que o seu criador Marconi (que o adotou depois que foi artificialmente fabricado para a vice-governadoria por… Caiado). Zé saiu com desgastes infinitamente menores. Alegoricamente, pode-se figurar que a sua queda foi do 1º ou 2º andar. Machucou-se gravemente, mas seguiu respirando. O problema do Zé é outro: ele e a política são incompatíveis.

 

Caiado indo bem ou Caiado indo mal, isso de nada servirá para a sonhada – pelos seus acólitos – redenção de Marconi, que, de resto, ainda tem pela frente uma longa peregrinação judicial, que pode pulverizar ainda mais os seus despojos. Se o atual governador não acertar, o próximo será imprevisível, ou seja, poderá ser qualquer um, com exceção de Marconi. Esse, não volta mais.