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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

22 jan

Governo federal não vai resolver a situação do Estado: a solução está aqui mesmo e, como sempre disse o próprio Caiado, mas parece ter esquecido, Goiás é maior que os seus problemas

Com 22 dias de mandato como governador de Goiás e quase 4 meses depois da sua consagradora eleição, com votação recorde, em 1º turno, Ronaldo Caiado segue sem uma definição clara sobre o rumo do seu governo e, aparentemente, ainda aguardando uma solução milagrosa oriunda do governo federal – na prática, a concessão do Regime de Recuperação Fiscal, que abriria as portas do céu, ou seja, concederia benesses inimagináveis para a conquista do reequilíbrio financeiro do Estado.

 

Um sinal de que Caiado perdeu as esperanças em ganhar o RRF, de resto impossível para Goiás, que não cumpre os requisitos exigidos pelo programa, é o decreto de calamidade financeira que ele assinou – decreto sem nenhum efeito prático, na verdade uma anomalia jurídica, uma vez que decorre de uma interpretação extravagante da legislação que prevê a decretação de calamidade pública em caso de catástrofes naturais.

 

O ponto a ser considerado é o seguinte: é fato é que a situação financeira de Goiás é grave, mas não gravíssima. Conclui-se daí que a solução está aqui mesmo no Estado, através de medidas de austeridade que o governo pode tomar a qualquer momento, independentemente de manifestação do governo federal ou de qualquer outra instância de poder. Nem decreto de calamidade financeira seria necessário. “Goiás é maior do que os seus problemas”, sempre disse Caiado, na campanha, depois dela e agora como governador. Ora, ora, se “Goiás é maior”, porque seria exclusivamente Brasília a única força habilitada a resolver “os seus problemas”?

 

Essa poder de decisão Caiado ainda não exibiu. Ele continua afeito a muito discurso e pouca atuação. A solução para os problemas do Estado está aqui mesmo, não depende do ministro Paulo Guedes, passa por um regime de austeridade que pode ser implantado a qualquer momento, bastando a decisão do governador, e exige uma abordagem radical, mesmo com o risco de reações negativas  – as famosas medidas impopulares. Mas é para isso que Caiado foi eleito com tanta gordura.