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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

22 jan

Plano B improvisado e sem efeito prático, decreto de calamidade financeira confirma: governo Caiado continua sem rumo, é mal assessorado e até hoje não tem noção exata de onde pisa e do que vai fazer

O governador Ronaldo Caiado está pagando caro pelo precioso tempo que desperdiçou entre a eleição, em 7 de outubro de 2019, e a posse, em 1º de janeiro deste ano, quando ele mesmo vivia repetindo que não tinha pressa e que oportunamente faria o anúncio do secretariado, das medidas iniciais e das propostas que norteariam a sua gestão.

 

Em vez de usar esse tempo para planejar a  administração, foram 3 meses de inação. E agora, perto de completar 30 dias de mandato, Caiado mostra que até hoje não tem noção exata do terreno que está pisando e do que precisa fazer para enfrentar os obstáculos encontrados. A equipe ainda não está completa, as medidas iniciais continuam em discussão e, sobre os projetos que o seu governo vai tocar, não há a menor ideia.

 

Mergulhado em uma agenda negativa, o novo governador viu frustradas as expectativas de ganhar de presente do governo federal as benesses do Regime de Recuperação Fiscal, no qual Goiás não se enquadra – e ele, Caiado, foi avisado exaustivamente disso, inclusive pela sua secretária da Fazenda, a economista carioca Cristiane Schmidt. A reação foi um decreto de calamidade financeira, que, ao contrário do que foi feito em outros Estados, não especificou um planejamento estadual de recuperação fiscal, limitando-se ao genérico – e com isso caracterizando-se como absolutamente inócuo, destinado apenas a produzir repercussão política e manter a pressão sobre Brasília para a liberação do RRF para Goiás.

 

Caiado dizia não ter plano B para contornar a impossibilidade do RRF. O decreto de calamidade financeira é esse plano B, só que improvisado e sem capacidade para gerar nada de concreto. Comprovando que o governador é mal assessorado, o novo secretário de Planejamento, Pedro Henrique Sales, disse que agora, após a edição do decreto, é que serão procuradas alternativas, com a consulta aos decretos baixados por outros Estados (são 6 até agora) para verificar que soluções podem ser copiadas.

 

Tem base?