Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 jan

Equipe do novo governo é lenta, inexperiente, não tem unidade, não conhece Goiás (há quem pense que Catalão fica em Minas) e, pior de tudo, queda-se de joelhos diante da tornitruante autoridade de Caiado

O governador Ronaldo Caiado já deve saber: o secretariado que montou é lento e aquém das expectativas geradas por um governo de ruptura, não esbanja experiência em administração estadual, mostra escassa unidade (nem sequer foi reunido até hoje para ouvir diretrizes e orientações), padece, pelo excessivo número de forasteiros, da falta de conhecimento sobre Goiás, mas tudo isso é quase nada diante do impacto que a tonitruante autoridade de Caiado causa em todos eles, a ponto, só para ficar em um exemplo, de muitos gaguejarem ou hesitarem ao falar em público na presença do governador –  caso notório de Pedro Henrique Sales, por enquanto titular da Segplan, na live via Facebook do último sábado sobre as dificuldades financeiras do novo governo.

 

Caiado também demora a decidir. Isso é natural em quem nunca exerceu funções executivas e se acostumou por décadas com o jeito arrastado do Legislativo de levar a cabo os seus assuntos. Talvez seja até positivo, mas nem tanto: quase 4 meses depois de eleito, o governador ainda não completou a sua equipe de auxiliares. É tempo precioso perdido. Bate cabeça com a agenda negativa da folha de pessoal de dezembro e insiste obsessivamente em esperar pelo que não vai acontecer, ou seja, a inclusão de Goiás no Regime de Recuperação Fiscal do governo federal, que seria, mas não será a panaceia para todos os males do Estado. Combine-se isso com uma equipe tímida e sem traquejo administrativo… e tem-se uma mistura explosiva.

 

Não é comum que um governador comece a governar com a sua equipe formada majoritariamente por pessoas que ele nunca viu antes. Isso é radical e leva a gestão para uma visão estritamente técnica, quando, na verdade, ela é política, na acepção superior da palavra. Ninguém sabe como Caiado chegou aos nomes que escolheu, quem indicou, recomendou, como foi que ele concluiu que esse ou aquele seriam a melhor opção. É o chavão: nunca, na história de Goiás, aconteceu nada parecido.

 

O que não se pode perder de vista é que administração pública não é campo de testes para fórmulas desconhecidas e sem antecedentes. Nesse sentido, Caiado está sendo ousado, por um lado, porém arrisca muito, por outro. A pouca resolutividade do seu governo, até agora, é prova de que a sua equipe, formada por bons técnicos, mas longe de excepcionais,  ainda não entendeu a que veio.