Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 jan

Tem cabimento? Caiado “pediu” ao jornalista Vassil Oliveira que que vá para a Agência ABC para a “reposicionar e modernizar”. Como fazer isso com uma televisão e rádios que ninguém assiste ou ouve?

Sem medidas duras e radicais, inovadoras também, o governador Ronaldo Caiado não chegará a lugar algum e vai acabar fazendo uma gestão que talvez venha a ser enxugada e organizada financeiramente, mas não levará Goiás a muito mais do que já chegou hoje.

 

É preciso até audácia para enfrentar a impopularidade decorrente de determinadas decisões, aquelas que no primeiro momento, mal recebidas, são consideradas nocivas pela sociedade, mas depois entendidas e aplaudidas quando os resultados aparecem e mostram que o interesse coletivo foi plenamente atendido.

 

Ora, noticiou-se que Caiado “pediu” ao jornalista Vassil Oliveira que, nomeado para presidente da Agência ABC, cuidasse de “reposicionar e modernizar” a autarquia, que consome milhões em recursos públicos com uma TV, a Brasil Central, que tem zero de audiência e duas emissoras de rádio que ninguém ouve, mesmo porque rádio, hoje em dia, é um veículo de comunicação de repercussão limitadíssima (vocês, leitora e leitor, fora do carro em trajeto de um ponto a outro, escutam rádio que hora?).

 

Como a Agência ABC, o governo de Goiás dispõe de muitas outras empresas, autarquias, repartições que podem ser eliminadas sem prejuízo para a sociedade, ao contrário, beneficiando a coletividade com a sua extinção e fechamento de ralos por onde se esvai o dinheiro dos impostos. Há a Goiásparcerias, a Goiasgás, a Goiás Telecom e escritórios de representação absolutamente desnecessários em Brasília e São Paulo, dentre outros apêndices estatais excessivos criados nas últimas décadas. Não tem sentido manter essas estruturas em um governo que foi eleito para tentar racionalizar e reequilibrar o Estado, buscando todas as formas de economia possíveis.

 

Em vez de decreto de calamidade financeira, que equivale a fumaça no ar, ou seja, não tem nenhum valor, seria muito mais rentável partir imediatamente para uma política de redução radical de despesas, peitando de frente o déficit do Tesouro Estadual e até acrescentando a isso a suspensão de programas sociais superados como o Renda Cidadã, o Bolsa Universitária e o Cheque Moradia – que, no mínimo, precisam passar por uma drástica reestruturação sobre o que são e o que representam de concreto para Goiás, o que provavelmente é muito pouco.

 

“Reposicionar e modernizar” a Agência Brasil Central? Para quê? Em benefício de quem? Há mais de meio século, a TV e as rádios do sistema Brasil Central foram criadas pelo governo Mauro Borges como formas pioneiras de levar informações, educação e cidadania às populações isoladas não só de Goiás, como do resto do país. Não tem sentido que isso tenha prosseguimento nos dias de hoje. Se o jornalista Vassil Oliveira tiver coragem de fazer o que seus antecessores na ABC não fizeram, ele entrega nesta semana mesmo a Caiado um plano resumido para liquidar a agência e devolver as concessões ao governo federal.