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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 jan

Visita despropositada de Caiado à Assembleia, sem nenhum fato novo, às vésperas da eleição do próximo presidente, provocou incêndios e obrigou Bruno Peixoto e Lincoln Tejota a atuar como bombeiros

Política, como se sabe, não é para amadores. E governar, menos ainda. Por isso, fica difícil de entender a visita que o governador Ronaldo Caiado fez nesta terça-feira à Assembleia Legislativa(foto acima, em reunião com os deputados), onde mostrou-se agressivo e pouco diplomático ao debater com deputados de oposição, não acrescentou nenhum fato novo às explicações que está exaustivamente dando aos passos iniciais da sua gestão e deixou sequelas – melhor dizer: incêndios – que exigiram a pronta intervenção do líder governista Bruno Peixoto e do vice-governador Lincoln Tejota, atuando como bombeiros para apagar as chamas deixadas no rastro do governador.

 

Para piorar as coisas, Caiado resolveu dar as caras no covil do Poder Legislativo às vésperas da eleição daquele que será o próximo presidente da Casa. Seu candidato, Álvaro Guimarães, voltou a enfrentar dificuldades, mesmo porque, convencer, nunca convenceu os colegas da viabilidade e das vantagens da sua candidatura, que tem um gosto azedo de imposição.

 

Não é exagero dizer que Caiado destratou pelo menos 3 deputados: Talles Barreto, Hélio de Souza e Lucas Calil. A Talles disse estranhar que, sendo formado em Direito, tenha votado a favor de matérias que ele, governador, entende contrárias ao espírito das leis. Com Hélio de Souza, repetiu o argumento, acusando-o também de ter aprovado projetos irregulares dos governos passados. Ao responder a Lucas Calil, ironizou a juventude do deputado – o único dos 3 que escorregou na pergunta que fez, ao questionar Caiado sobre o apoio que deu no passado a governos do Tempo Novo (obviamente, um tema fora de contexto naquele momento).

 

Mas foi só Caiado dar as costas para a Assembleia que entraram em ação o seu líder Bruno Peixoto e o ex-deputado e atual vice Lincoln Tejota. Ambos procuraram Talles, Hélio e Lucas para se desculpar em nome do governo. Não se sabe o que disseram exatamente, mas, seja quais forem os detalhes, devem ter passado pelo argumento de que Caiado esqueceu-se de que, agora, é chefe de Executivo, porém se comportou como membro do Legislativo, isto é, com a cabeça de parlamentar, revivendo o gosto pelo debate e pelo confronto. Só que não era a hora e ele acabou se saindo como alguém que, durante uma visita, diz desaforos ao dono da casa. Para ser benevolente, isso, no mínimo, pode ser definido como falta de educação.

 

Na Assembleia, nada acontece de graça e sem consequências. Trata-se de uma regra dominante nas relações de todo Legislativo com todo Executivo, seja qual for a esfera de poder. Caiado não deveria ter ido, não deveria ter dito o que disse e como disse e não deveria ter saído sem pessoalmente se desculpar.