Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

24 jan

Passo de cágado do governo Caiado contrasta com a urgência exigida para a solução de problemas gravíssimos, que estão se acumulam enquanto a gestão multiplica grupos de estudos para decidir o que fazer

Condicionado pelos seus 30 anos de atividade como parlamentar, Ronaldo Caiado enfrenta como governador de Goiás a primeira experiência executiva da sua vida. Não é um problema. A história de Goiás mostra que houve governantes que, vindos do Legislativo, se saíram muito bem, caso de Iris Rezende, por exemplo, enquanto outros terminaram mal, exemplo de Henrique Santillo.

 

Seja como for, o fato é que Caiado não é um homem de decisões rápidas. É o estilo e o jeito dele e foi o que o levou a desperdiçar o precioso tempo transcorrido desde a sua eleição, em 7 de outubro, até a posse, em 1º de janeiro, sob a justificativa de que não tinha pressa. Não montou a equipe (que está em aberto até hoje) e não planejou os seus passos iniciais. A rigor, 24 dias depois de assumir o governo, ainda não deu esses passos. Continua esperando o milagre do Regime de Recuperação Fiscal e não sabe, em detalhes, que metas perseguirá para tirar o Estado da crise fiscal, menos ainda quando se trata de esmiuçar números, atuais e futuros, para chegar a algum lugar.

 

Do secretariado anunciado até agora, a maioria é de fora, o que presume a necessidade de prazo para que se familiarizem com a realidade goiana. O próprio Caiado, com a sua vida pública integralmente desenvolvida em Brasília, pode ser considerado como alguém sem conhecimento profundo de Goiás, o que é demonstrado pela campanha que fez, baseada em propostas genéricas (e não há nada de errado nisso,já que a mudança que ele postulou representou um bom discurso  eleitoral e o levou à vitória).

 

Somando-se todos esses fatores, tem-se que o novo governo é lento como um cágado – e não foi capaz sequer de definir qual a estrutura administrativa que considera ideal, mandando um projeto simplificado para a Assembleia, que, segundo o titular da Segplan Pedro Sales, trará uma economia anual de R$ 1 milhão. Vocês não leram errado, leitoras e leitores: a reforma administrativa de Caiado, em sua primeira fase, vai economizar R$ 1 milhão por ano para um Estado com um buraco de bilhões e bilhões de reais.

 

E o resto da reforma? Virá depois que mais um grupo de estudos criado por Caiado chegar a uma conclusão sobre o que precisa ser modificado. Grupos como esses já são mais de 5, todos “estudando” o que precisa e deve ser feito. Isso amarra a gestão. Que ainda não começou.