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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 jan

Articulação para a escolha do novo presidente da Assembleia entra na reta final, mostra erosão da candidatura de Álvaro Guimarães e aponta para uma reviravolta com a ascensão de Lissauer Vieira

O deputado estadual Lissauer Vieira(foto), do PSB, que detém sólida estrutura eleitoral no sudoeste goiano, é o nome em ascensão para a presidência da Assembleia a partir da abertura de próxima Legislatura, no próximo dia 1º de fevereiro.

 

Lissauer Vieira passou a representar a possibilidade de uma mudança radical na condução da Assembleia, dentro da proposta, simpática à maioria dos 41 deputados, de que o Poder deve ser “zerado”, isto é, se livrar das influências do ex-governador Marconi Perillo e de seus aliados ex-presidentes da Casa, que até hoje controlam diretorias, contratos e a nomeação de parte dos servidores comissionados. Seu nome surgiu como uma espécie de terceira opção, entre Álvaro Guimarães e Dr. Antônio, com a vantagem adicional de também se situar na base de apoio do governador Ronaldo Caiado.

 

Os bastidores da Assembleia estão fervendo com a chegada da reta final do processo de escolha do novo presidente. Enquanto Álvaro Guimarães, candidato declarado de Caiado, se movimenta com apoio operacional do secretário de Governo Ernesto Roller e do ex-deputado Samuel Belchior, espécie de articulador informal credenciado pelo novo governador, há um grupo de deputados – dentre eles parlamentares experimentados como Iso Moreira, Cláudio Meirelles, Humberto Aidar e Talles Barreto – desenvolvendo a hipótese de enfrentar o peso do Palácio das Esmeraldas e eleger um presidente com características de independência (mas não oposição) frente ao Executivo e valorização dos 41 deputados, o que significa apropriar internamente as benesses oferecidas pelo Poder. E aí que entra Lissauer Vieira, substituindo o nome inicial do grupo, que era o Dr. Antônio, que não pegou.

 

É fundamental, nesse contexto, o efeito negativo da visita de Caiado à Assembleia, há poucos dias, quando tratou de modo considerado desrespeitoso dois deputados do PSDB e um do PSD. A reação a essa atitude do governador acabou encorpando a contestação à candidatura de Álvaro Guimarães, que tinha, mas não tem mais, os votos da bancada do PSDB e aliados, que podem chegar a mais de 10. Somando-se a isso os deputados que (como o major Araújo,  Major Araújo, Amauri Ribeiro, Delegado Humberto Teófilo e Paulo do Trabalho) querem reposicionar a Assembleia e acrescentando-se como ingrediente apimentado a insatisfação generalizada entre os deputados da base governista, que não estão sendo atendidos por Caiado, o resultado pode ser uma completa reversão de expectativas na eleição do novo presidente – no caso, com a consagração de Lissauer Vieira.