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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 jan

Até sexta, deputados não atenderão telefonemas de Caiado e prepostos, consolidando a eleição de Lissauer Vieira como declaração de independência da Assembleia perante o Executivo (mas não oposição)

Os deputados estaduais engajados no movimento de independência da Assembleia perante o Executivo e na proposta de “zerar” o Poder, com o afastamento da influência do ex-governador Marconi Perillo e ex-presidentes aliados seus, decidiram não atender a eventuais telefonemas do governador Ronaldo Caiado e de seus prepostos, pelo menos até o desfecho da sessão marcada para as 15 horas da próxima sexta-feira, 1º de fevereiro, em que o novo presidente do Legislativo será eleito.

 

São pelo menos 23 parlamentares fortemente engajados nessa articulação, número que deverá subir para mais de 30 e até chegar à unanimidade, já que é cada vez mais improvável uma disputa em plenário com a manutenção da candidatura de Álvaro Guimarães ou mesmo pela sua substituição por um outro nome, como, por exemplo, o de Henrique César, que recebeu do Palácio das Esmeraldas a sugestão de se apresentar à disputa pela presidência. Nem com Álvaro insistindo nem como um fato novo como Henrique César haveria chances de reversão das expectativas pró-Lissauer.

 

Antes, esses mesmos deputados – liderados por Iso Moreira, Cláudio Meirelles e Humberto Aidar, dentre outros – já haviam resolvido também não atender a telefonemas de Marconi, que vinha assediando alguns deles na tentativa de manifestar apoio e ajudar na construção da primeira derrota política de importância para o governo Caiado.

 

Nas últimas horas, depois de ter mantido distância do processo de indicação do novo presidente da Assembleia, Caiado passou a ligar para parlamentares, além de acionar prepostos como o secretário de Governo Ernesto Roller, o vice-governador Lincoln Tejota e o seu articulador informal Samuel Belchior, todos esforçando-se para convencer os deputados da necessidade e conveniência da eleição de Álvaro Guimarães, pela sua identificação com o novo governador – “seria melhor para todos”, é o argumento genérico utilizado, porém mais uma vez errado, já que embute uma espécie de ameaça caso venha a prevalecer outro nome, que “seria ruim para todos”.

 

Mas é tarde demais. Nem com afagos nem com intimidação a  consagração de Lissauer Vieira será evitada.