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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

31 jan

Novo crime bárbaro, a morte de uma moça sequestrada em casa, fecha recorde de violência em janeiro e testa a capacidade do governo Caiado para ir além do discurso na área de segurança

Paula Fernanda Barbosa tinha 19 anos e estava em casa, em Planaltina, quando surgiram três homens que a levaram a força. No dia seguinte, apareceu morta em um matagal, com o corpo perfurado (não se sabe ainda se por tiros) e com sinais de brutalização sexual.

 

Mais um crime bárbaro, dentre os tantos deste janeiro que já ganhou o título de mês recordista, nos últimos anos, em matéria de homicídios violentos, diante dos quais a Secretaria de Segurança, sob o comando do delegado federal aposentado Rodnei Miranda, simplesmente calou-se, passando uma impressão de falta de reação.

 

Janeiro está indo embora deixando sem respostas o primeiro teste para a política de segurança do governo Ronaldo Caiado, área em que o compromisso estabelecido desde a campanha, repetido depois e confirmado após a posse, seria o restabelecimento da paz e da tranquilidade para os goianos. Nem o governador nem as autoridades policiais ocuparam qualquer espaço na mídia ou nas redes sociais para evidenciar que houve alguma mudança de postura, alguma rearticulação do aparato de segurança ou mesmo qualquer novidade capaz de convencer a população de que ou os crimes vão diminuir ou serão punidos com presteza ou serão enfrentados com dureza e determinação. Ou seja: nem o discurso de que tudo vai ser resolvido é entoado mais.

 

Caiado, com toda a sua experiência, sabe que em segurança pública o que vale é a sensação. E ele mesmo, nos primeiros dias depois de assumir o governo, participou da apresentação de uma quadrilha de roubo a bancos onde, junto com autoridades da polícia, anunciou que “o clima já mudou”, referindo-se possivelmente a um suposto aumento da eficiência no combate ao crime. Mas aí janeiro continuou e acabou desmentindo Caiado com a crueldade dos seus casos de mortes violentas. É preciso uma solução já.