Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 fev

Irresponsabilidade de Marconi e Zé Eliton com o programa Goiás na Frente vai muito além da falta de pagamento dos convênios: R$ 184 milhões foram desperdiçados em obras inúteis e superficiais

O jornal O Popular deste domingo publica um detalhado levantamento mostrando que o programa Goiás na Frente – aquele que, sob a capa de apoiar os municípios, tinha o propósito de criar viabilidade eleitoral para a candidatura do então governador Zé Eliton à sua própria sucessão e reforçar a de Marconi Perillo ao Senado – não cumpriu quase nada do que se propôs e só repassou aos prefeitos um terço dos recursos prometidos.

 

Prefeitos que licitaram, contrataram e executaram obras com base no dinheiro prometido pelo Goiás na Frente entraram em uma fria, arrastando para o buraco mais de 200 empreiteiras de pequeno e médio porte, que não receberam todo o devido pelos serviços prestados e nem sabem quando vão receber. Isso é grave, mas a reportagem de O Popular não tocou no que é mais preocupante: os R$ 184 milhões que foram repassados às prefeituras, dos R$ 533 milhões do valor total dos convênios firmados, foram desperdiçados em recuperação de asfalto urbano, construção de pistas de caminhada, reformas de prédios e até em eventos festivos (como festivais gastronômicos e rodeios-show). Nada disso tem retorno quanto ao desenvolvimento econômico ou mesmo quanto a redução das desigualdades sociais pelo Estado afora.

 

O pior é que os R$ 533 milhões, soma dos convênios assinados, foram comprometidos na sua integralidade, através das licitações feitas nos municípios supostamente beneficiados, embora só R$ 184 milhões tenham sido repassados. Significa que, do ponto de vista jurídico, esse dinheiro perdeu-se pelo ralo, já que o Estado está devendo esses repasses, que teoricamente terão que ser feitos, mais cedo ou mais tarde. Aparentemente, não há outra solução. Graças à irresponsabilidade de Marconi e Zé Eliton, foram e serão centenas de milhões de reais desperdiçados, em projetos que eventualmente que até podem micro atender a comunidades localizadas (a que as prefeituras estão obrigadas diretamente), mas não têm nem terão efeito nenhum para o conjunto da população do Estado.

 

É caso de polícia.