Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 fev

Ao contrário do que pensam Talles Barreto, Lucas Calil e Gustavo Sebba, erros de Caiado não eximem Marconi e Zé Eliton da culpa por transformar o Estado em terra arrasada… e eles estão devendo explicações

A oposição oficial ao governo Ronaldo Caiado está resumida hoje aos deputados Talles Barreto e Gustavo Sebba, do PSDB, e Lucas Calil, do PSD. São eles que têm feito algum barulho, especialmente na tentativa de faturar politicamente os erros – e não são poucos – que Caiado está cometendo nos passos iniciais da sua gestão. Os três agitam a Assembleia e a mídia o quanto podem, mas partindo de um ponto de vista que afeta gravemente a credibilidade de tudo o que dizem: não interessa como Marconi Perillo e Zé Eliton entregaram o Estado, competindo a Caiado resolver os problemas sem olhar para trás e sem reclamar da herança recebida.

 

Essa tese, subjacente às críticas feitas por Talles, Gustavo e Lucas, não tem sustentação. Marconi e Zé têm culpa no cartório e estão devendo explicações. Até hoje, só se manifestaram no caso da recusa de Caiado em pagar a parte da folha de dezembro que não foi empenhada no ano passado. Zé disse que o cronograma sempre foi o de quitar os salários até o dia 10 do mês seguinte e que, portanto, estava com a consciência em paz. E Marconi soltou uma nota, exaltando a si mesmo pelo fato – verídico – de nunca ter atrasado o pagamento do funcionalismo em seus quatro governos.

 

Isso é pouco. A situação de calamidade financeira do Estado pode não ser tão danosa quanto o novo governo quer fazer crer, porém é real e foi produzida sob responsabilidade de Marconi e Zé. Houve maquiagem da contabilidade, embora permitida por uma emenda constitucional estadual e pelo Tribunal de Contas, em desacordo com as regras nacionais de responsabilidade fiscal. Gastos foram efetuados de forma leviana, a exemplo do programa Goiás na Frente, que não cumpriu com o acertado nos convênios e deixou prefeituras e empreiteiras em dificuldades. Zé, nos seus dias finais, priorizou o pagamento de obras do seu interesse pessoal. Ele e Marconi criaram com as próprias mãos o caos que acabou no colo de Caiado.

 

Ao desprezar essa realidade e centrar as críticas nos atos do novo governo como se ele estivesse começando do zero, os três deputados cometem uma injustiça e ficam sob a suspeição que atinge a qualquer um que torça a verdade. Caiado não pode passar uma borracha no passado, ao contrário, sua obrigação como autoridade maior do Estado é averiguar tudo o que houve e buscar a imputação de quem tomou as decisões que trouxeram prejuízos para os goianos – e nesse sentido deveria ser apoiado por quem quer que seja que tenha autoridade constituída, caso de Talles, Gustavo e Lucas, que estão investidos em mandatos parlamentares.