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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 fev

Corra, Caiado, corra: com 4 meses desde a eleição e mais de mês após a posse, equipe de governo segue incompleta, não houve cortes de despesas, faltam ajustes e uma proposta para os próximos 4 anos

O governador Ronaldo Caiado está completando quatro meses desde que foi eleito, já passou de um mês de mandato, mas a administração segue com a sua equipe de trabalho incompleta, até agora não houve nenhum corte expressivo de despesas (apesar da decretação da calamidade financeira, o que Caiado fez foi aumentar os gastos com a folha de pessoal distribuindo benesses para faixas do funcionalismo que equivalem a mais de R$ 60 milhões/mês), fala-se em um ajuste da máquina, mas de concreto nada foi feito – e, o pior de tudo, não há uma proposta ou um conjunto de projetos para os próximos quatro anos, principalmente para tornar realidade o que foi prometido de forma genérica na campanha e motivou o voto dos goianos, ou seja, uma mudança.

 

Caiado precisa correr. A estratégia de aguardar a ajuda do governo federal, ainda que tivesse chances de se tornar realidade, não tem sentido diante do muito que o próprio Estado pode fazer. Aliás, das medidas previstas pelo Regime de Recuperação Fiscal que o governador tanto almeja, apenas duas – a suspensão do pagamento das parcelas da dívidas e a possibilidade de contratação de novos empréstimos – não são são de competência estadual. Todas as demais, como a suspensão de aumentos salariais, proibição de realização de novos concursos, leilão de pagamentos, redução de incentivos fiscais e por aí afora, podem ser adotadas quando e como Caiado quiser, dependendo apenas da sua vontade de enfrentar os desgastes que virão (para os quais o RRF seria uma bela desculpa, ao jogar a responsabilidade no colo de Brasília).

 

A eleição de 7 de outubro de 2018 foi vencida com folga em Goiás por um candidato que repetia diariamente saber o que fazer, por um lado, e que o Estado seria maior que os seus problemas, por outro. Mas, entre a campanha e o que veio depois, parece haver um descompasso muito grande e nessa marcha o enorme capital político de Caiado está sendo queimado à toa, primeiro por uma questão de inércia do poder (todo governo é obrigado a ações impopulares) e segundo em razão de decisões equivocadas mesmo (como a de não pagar uma parte da folha de dezembro do funcionalismo) ou então soluções polêmicas e impensadas (caso da manutenção da Bolsa Universitária, com o compromisso de pagar seu passivo ainda neste ano e sem uma avaliação do seu retorno para o desenvolvimento do Estado). O novo governo parece padecer de um desperdício evidente de tempo – e de dinheiro.