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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 fev

Fátima Gavioli é aprovada em concurso para servidora administrativa da Universidade Federal de Rondônia, com salário de R$ 4 mil. Ele vai deixar a secretária estadual de Educação para assumir?

De todos os secretários que o governador Ronaldo Caiado trouxe de fora, a que mais chama a atenção é a professora Fátima Gavioli, seja pelas suas peculiares características pessoais, seja pelo fato de ter sido conduzida para a pasta mais estratégica, do ponto de vista de contato com a população: a Secretaria estadual da Educação, com as suas 1.150 escolas, 500 mil alunos e 40 mil servidores para administrar. Com a determinação de Caiado para que todos os secretários façam um corte de 20% em suas áreas, ela está diante de um desafio e tanto, para a solução do qual está recorrendo a expoentes da administração da sua antecessora Raquel Teixeira e com isso gerando reações iradas em quem esperava uma mudança na Seduce.

 

Fátima Gavioli já disse, em uma reunião interna, que o salário  de titular da pasta, de R$ 14.991 líquidos por mês, é insuficiente para a sua manutenção em Goiás. Para complementar a renda, aceitou dar aulas em um curso de pós-graduação de uma faculdade particular instalada em Goiânia. E agora, mais uma novidade: no final do ano passado, ela prestou concurso para a área administrativa da Universidade Federal de Rondônia, cujo resultado acaba de sair. Fátima Gavioli foi aprovada para um cargo de pouco mais de R$ 4 mil mensais. E então? Ela vai assumir? É possível assegurar esse cargo e continuar como secretária do governo goiano?

 

Estão faltando explicações. De resto, o drama da legião estrangeira de Caiado é o baixo salário pago pelo governo estadual diante das despesas de mudança e do cotidiano em uma terra estranha, longe da família e das suas raízes. O caso de Fátima Gavioli não é isolado e reproduz, em última análise, as agruras que todos os demais secretários importados estão vivendo. Acrescente-se a isso a reação bairrista natural dos goianos e o desconhecimento que cada um tem da realidade do Estado. A derrota do governo na eleição para presidente da Assembleia, resultado de uma reação à marginalização da classe política regional na composição do secretariado, foi uma primeira resposta à turma de fora. Não há como não concluir que a aposta de Caiado é muito arriscada.