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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 fev

Com apenas 6 dias depois de eleito presidente, Lissauer Vieira já mudou discurso e parece ter esquecido o compromisso de “zerar” a Assembleia e afastar a influência de Marconi

A derrota do governador Ronaldo Caiado no processo de eleição do novo presidente da Assembleia vai muito além da escolha de Lissauer Vieira, nome totalmente descomprometido com o seu comando e até mesmo desprovido de condições mínimas e de interesse em diálogo com o Palácio das Esmeraldas. Caiado vai pagar um preço político elevado porque, como os primeiros atos de Lissauer Vieira já sinalizaram, a Casa vai continuar a abrir espaço para a influência do ex-governador Marconi Perillo e pode até se transformar no bunker de resistência do tucano-mor de Goiás.

 

As digitais de Marconi estão por trás da espetacular vitória de Lissauer Vieira. Há indícios de que foi ele, Marconi, quem teve a ideia e deu o start na articulação que liquidou a candidatura de Álvaro Gumarães, a partir da péssima repercussão da desastrada visita que o governador fez à Assembleia, quando, ao participar de uma reunião para dar explicações sobre o decreto de calamidade financeira, acabou tratando desrespeitosamente alguns deputados e provocando entre a maioria deles um movimento de reação. Marconi, com a sua conhecida e tradicional sagacidade, teria sido quem primeiro percebeu o erro de Caiado. Pelo telefone, rapidamente inoculou na Assembleia o vírus que matou a postulação de Álvaro Guimarães e, como efeito colateral, fez surgir a hipótese de eleição de um nome distante do Palácio das Esmeraldas – e Lissauer Vieira vestia esse figurino com precisão, sabe-se agora, diante de gestos como a sua recusa, por exemplo, em fazer a tradicional visita de cortesia ao governador, a menos que seja “convidado”.

 

Nas entrevistas, o novo presidente vai mudando o discurso aos poucos. “Zerar” a Assembleia, agora, passou a significar apenas a exoneração dos funcionários e diretores nomeados a pedido dos ex-presidentes da Casa. Para abrir as portas a ex-deputados marconistas, primeiro foi nomeado o derrotado Luís César Bueno, do PT, para a diretoria parlamentar. Esse, serviu para abrir a porteira. Outro ex-auxiliar de Marconi, Wesley Borges, foi para a diretoria-geral. O diretor de Comunicação, Danin Jr., serviu fielmente a Marconi por 10 anos. E assim vai sendo organizada a vida dos deserdados do Tempo Novo.

 

Azar de Caiado, que, apesar da sua notável experiência parlamentar, foi imaturo e cometeu erros infantis – é o único governador da safra atual a engolir uma derrota na escolha do presidente da sua Assembleia Legislativa.