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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 fev

Em março, Caiado completa 6 meses desde que foi eleito e ainda estará discutindo a sua reforma administrativa, que poderia ser feita em poucos dias caso o governo tivesse agilidade e boa assessoria

O governador Ronaldo Caiado completa seis meses, em março, desde que foi eleito a 7 de outubro do ano passado e só aí estará concluindo o seu projeto de reforma administrativa (que ainda terá que ser submetido à Assembleia Legislativa). É muito tempo, muito mesmo, para uma providência que é vital para o sucesso da nova gestão e sua proposta de colocar o Estado nos trilhos do equilíbrio financeiro.

 

O mandato de um governante, na prática, começa no dia seguinte ao que ele sai vitorioso das urnas. Investido em uma espécie de autoridade informal, ele pode e deve começar imediatamente a articular o seu mandato, montar a equipe de auxiliares, definir metas e principalmente os seus passos iniciais, fazer, enfim, algum planejamento. Caiado passou longe de tudo isso. Os quase três meses entre eleição e posse, um tempo precioso, foram desperdiçados à toa, com ele repetindo não ter pressa e que oportunamente saberia o que fazer e como fazer.

 

O resultado é que até hoje o novo governador não completou o seu quadro de auxiliares, com pastas importantes sem comando – como a Juceg, a Fapeg ou a Agehab –e praticamente sem nenhuma decisão de importância para buscar um ajuste fiscal. Ao contrário, em vez de cortar, Caiado fez foi aumentar despesas, concedendo aumentos salariais e benesses como o vale alimentação para a maioria do funcionalismo. Ficou claro que não havia planejamento nenhum para implantar um regime de austeridade. E mais: jogou pelo ralo parte do seu capital político (que vem da extraordinária votação e vitória no 1º turno), ao aproveitar o relacionamento positivo que tinha na Assembleia (não tem mais) para aprovar a suposta primeira parte de uma reforma administrativa, recriando em vez de extinguir secretarias, aumentando o número de cargos intermediáveis e superpostos (há pastas que ficarão com chefe de gabinete, secretário geral e superintendente executivo) e mantendo intacta a estrutura herdada dos governos passados.

 

Aos auxiliares que nomeou, o governador pediu sugestões para o que chamou de segunda parte da reforma administrativa, mas deu um prazo longo demais. A maioria, por enquanto, não chegou a conclusão nenhuma sobre o que cortar ou modificar. Essas sugestões irão para mais um dos inúmeros grupos de trabalho constituídos por Caiado, que fará uma avaliação e entregará uma proposta final – lá para meados de março, ou seja, em torno de 180 dias depois da eleição.

 

É lentidão em excesso. Para um diagnóstico e reforma da máquina estadual, pelas suas dimensões atuais, que não são de grande tamanho, não seriam preciso mais que uma semana. Secretários, para definir o que fazer em suas respectivas pastas, não deveriam receber mais do que dois dias de prazo. Não tem sentido essa enrolação. Que é sinal de que o governo carece de agilidade e não é bem assessorado.