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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 fev

Lissauer Vieira e os deputados da oposição que derrotaram Caiado dizem que vão votara favor de tudo que for “bom” para Goiás. O problema é: quem vai definir o que é esse “bom”, eles ou o governo?

Já está ficando cansativa a repetição de um mantra, na boca do novo presidente da Assembleia Lissauer Vieira e de deputados de oposição como Talles Barreto, Lucas Calil ou Gustavo Sebba, todos em estado de euforia pela derrota que impuseram ao governador Ronaldo Caiado: eles não desejam criar problemas para o governo e para isso estão comprometidos com o interesse maior da população, fazendo questão de votar a favor de todo e qualquer projeto “bom” para o Estado.

 

Por essas declarações, Caiado não teria com o quê se preocupar. Ele provavelmente tem convicção de que só vai mandar para a apreciação legislativa matérias a favor de Goiás. E que caberá aos deputados aprovar todas, sem delongas, já que tudo o que vai enviar será “bom” para os goianos, na sua opinião. O problema está na conceituação desse “bom”: em princípio, dificilmente governo e oposição costumam convergir sobre o que é “bom” para os governados.

 

O que Lissauer Vieira e os deputados estão prometendo, portanto, é sólido como fumaça no ar. Quem tem um mínimo de inteligência sabe que o novo presidente da Assembleia e seus colegas oposicionistas estão dispostos a concordar com tudo o que eles acharem que é “bom”, não com o que o governador entender que é. Mas a política é assim mesmo e nela as palavras nem sempre significam o que deveriam significar.

 

O primeiro teste para Caiado, após a eleição de Lissauer Vieira, será a segunda parte da reforma administrativa, que pelo arrastado cronograma do Palácio das Esmeraldas deverá chegar ao Legislativo em meados de março. Os deputados da oposição, robustecidos pela vitória na eleição para presidente do Poder, estão com gosto de sangue nos lábios e vão partir para cima: qualquer que seja o projeto, eles não vão considerá-lo tão “bom” quanto o governo acha que será. “Bom” não passará de uma ideia muito relativa. Vamos ter dias de fogo na Assembleia.