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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 fev

“Zerar” a Assembleia foi sonho de uma noite de verão: Lissauer Vieira está cada vez mais próximo do passado e longe do grupo de deputados que plantou a ideia da independência

A ideia de “zerar” a Assembleia, isto é, livrá-la da influência do ex-governador Marconi Perillo e dos ex-presidentes seus aliados que controlavam diretorias, contratos e as nomeações de funcionários comissionados, está na origem do movimento vitorioso pela independência da Casa face ao Executivo que levou à eleição de Lissauer Vieira e ao naufrágio da candidatura de Álvaro Guimarães, o candidato do peito do governador Ronaldo Caiado.

 

Quem começou a marola, depois onda, depois tsunami que reuniu uma maioria esmagadora de 37 votos para Lissauer Vieira foram deputados de corte radical como Major Araújo, Amauri Ribeiro ou Delegado Humberto Teófilo, todos contra a manipulação da estrutura da Assembleia a favor de um pequeno grupo posicionado fora da Casa, mas detentor das suas benesses e vantagens políticas e administrativas.

 

O que esses parlamentares deflagraram e chegou ao apogeu com a eleição de Lissauer Vieira acabou dando em nada, agora que o novo presidente vem mostrando a cada dia maior comprometimento com o passado que deveria ser varrido e menor conexão com a proposta de “limpar” a Assembleia. Aos poucos, o status quo ante vai sendo restabelecido, o que pode ser visto na completa ausência de medidas de austeridade e na entrega da maioria das diretorias a nomes diretamente vinculados ao ex-governador Marconi Perillo. Só falta entrar a ex-deputada Eliane Pinheiro, cujo nome é advogado por Marconi e pelo ex-presidente da Agetop Jayme Rincón para uma das diretorias ainda vagas – e, podem apostar, leitora e leitor, a nomeação dela ainda vai sair.

 

Lissauer Vieira enfrenta reclamações entre os colegas por não cumprir o que foi ajustado nos dias que antecederam a sua consagração. Há críticas sobre o seu pulso fraco diante das pressões para manter a Assembleia servindo a interesses extrínsecos. E sua falta de interlocução com o governador Ronaldo Caiado dificulta ainda mais as coisas, pela ausência de um canal confiável entre Legislativo e Executivo (as reivindicações dos deputados diante do governo são imensas), papel que sempre foi do presidente.

 

O que mudou, na Assembleia, mudou para manter o que já existia.