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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

26 fev

Caiado foi incisivo ao dizer que seu governo pagaria os salários dentro do mês, mas já em fevereiro esse compromisso vai dar para trás: quitação da folha deve se estender até o dia 10 do mês que vem

O governador Ronaldo Caiado prometeu, inclusive como tentativa de compensação dos prejuízos do funcionalismo com o não pagamento de parte de dezembro, que as folhas referentes à sua gestão seriam quitadas dentro do mês trabalho – o que, realmente, aconteceu em janeiro.

 

Mas em fevereiro não vai dar. O pagamento do mês já começou, mas vai se estender até o dia 10 de março, segundo informações da secretária Cristiana Schmidt, aparentemente contrariando Caiado, só que baseando-se em uma constatação muito simples e objetiva: segundo ela, não há dinheiro no caixa para liquidar todos os salários dos servidores até o último dia de fevereiro.

 

Trata-se de mais um exemplo do distanciamento entre boas intenções e o peso da realidade. O novo governador tem sido pródigo nesse tipo de situação, o que ocorreu com a promessa de extinguir a 3ª classe para os soldados da Polícia Militar. Ele o fez, conforme projeto que enviou à Assembleia, mas os supostos beneficiados não ficaram nem um pouco satisfeitos: de fato, a 3ª classe foi eliminada, passando todos os praças à 2ª classe e não a uma única classe, conforme Caiado sempre disse. Resolveu e não resolveu.

 

Governo é assim mesmo, um espaço onde querer raramente significa poder. Caiado está aprendendo, a duras penas, que deve falar menos. Quando falar, dizer pouco. E, mesmo esse pouco, previamente bem pensado e planejado, sem impulsos momentâneos. É a única forma de reduzir os desgastes gratuitos, como os que o Palácio das Esmeraldas está acumulando sem necessidade. Se o pagamento da folha tivesse sido mantido no prazo anterior, isto é, até o dia 10 do mês subsequente, como parece que vai voltar a ser depois da exceção que aconteceu em janeiro, tudo estaria bem e amém.