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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 fev

Rigor que ajudou na biografia de Caiado some aos poucos: “solidário” com funcionários que não receberam dezembro, abriu mão dos salários de governador, mas antes embolsou R$ 73 mil do Senado

O blog da jornalista Fabiana Pulcineli, em O Popular, tem sido nesta sua nova fase de uma importância fundamental para desmascarar a hipocrisia dos políticos goianos e, de vez em quando, algumas das suas maracutaia.

 

O caso mais recente é a descoberta que ela fez sobre o auxílio-mudança pago pelo Senado a Ronaldo Caiado(acima, em uma foto metafórica sobre o seu momento atual, de autoria da fotógrafa Dida Sampaio, do Estadão), na folha do mês de dezembro, no valor de R$ 33 mil reais. Somando-se todas as vantagens daquele mês, o contracheque de Caiado engordou e subiu para R$ 73 mil. Dezembro, como se sabe, corresponde à folha que, em grande parte, não foi paga pelo governo de Goiás, já sob nova direção, aos servidores públicos, sob alegações de dificuldades financeiras que até hoje não convenceram a ninguém, principalmente as vítimas dessa deliberação de Caiado.

 

O auxílio-mudança é controverso: de um modo geral, é visto como uma imoralidade, tanto que a Justiça Federal proibiu que fosse pago a deputados federais, sentença que, contudo,de que não alcançou o Senado. Mesmo assim, novos senadores como Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru abriram mão do seu recebimento, por considerá-lo incompatível com os bons costumes quanto ao uso de recursos públicos.

 

Graças a essa indecência, Caiado embolsou o necessário para pagar as suas contas e viver com folga financeira por um tempo razoável, principalmente agora que correm por conta do Estado as suas despesas de casa, alimentação e outras urgências a que as pessoas comuns são obrigadas, especialmente os servidores estaduais que levaram pança em dezembro. É claro que essa situação confortável ajudou na decisão de suspender os próprios salários enquanto não for regularizado o que restou da folha de dezembro do funcionalismo. Um ato, vê-se agora, que não representou nenhum sacrifício e por isso pode ser classificado como demagógico e até mesmo duplamente censurável (por fazer marketing com o sofrimento alheio e também pelo que recebeu do Senado).

 

Antigamente, em seus mandatos parlamentares, o novo governador de Goiás não fazia concessões e se pautava por um rigor de aço em matéria de princípios. Mas isso… antigamente.