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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 mar

Palavra de Caiado, que ele considera bem de família, foi quebrada no caso do compromisso de quitar a folha até o dia 30: não aconteceu em fevereiro e segundo a Sefaz não vai ser cumprido

Este blog já observou que o governador Ronaldo Caiado fala demais, muitas vezes sem pensar – e acaba indo além do que é permitido aos deveres de responsabilidade de uma autoridade de grande presença na sociedade, como a sua.

 

Foi assim que ele, imprudentemente, tentou minimizar os desgastes da decisão de não pagar grande parte da folha de dezembro, alegando firulas técnicas que não convenceram a ninguém e anunciando que no seu governo os salários do funcionalismo seriam quitados até o fim de cada mês. Em janeiro, foram. Em fevereiro, não. Os aposentados ficaram para trás. Malandramente – e a palavra é essa mesma – o que se quis caracterizar é que o compromisso foi cumprido porque os servidores em atividade receberam, atirando-se os inativos a uma nova e inusitada categoria extra folha.

 

Caiado nunca disse que pagaria em dia apenas os que estão trabalhando, enquanto os aposentados ficariam para quando houvesse tempo bom. Ele, portanto, quebrou a sua palavra. Ou quebraram por ele, que assumiu o logro e ainda não justificou ou explicou o que houve. Indo mais fundo, também não seguiu a palavra que deu de que todos os recursos disponíveis iriam para cobrir o que chamou de “salários sagrados” do funcionalismo. Um exemplo é o pagamento que fez aos advogados dativos, que não estão incluídos na folha. Em janeiro, distribuiu benesses a setores do funcionalismo que acrescentaram mais de R$ 60 milhões mensais aos gastos do Estado.

 

Pior de tudo: a secretária Cristiane Schmidt, com a franqueza característica de quem não tem nenhuma experiência política, já avisou que os vencimentos dos aposentados vão continuar sendo postergados e, aliás, por enquanto sem data certa para receber. Não foi o que Caiado proclamou. E é como o seu patrimônio moral vai se erodindo, preço que quem não fala a verdade paga.