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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 mar

Situação fiscal de Goiás é grave e por isso a Secretaria do Tesouro Nacional atribui ao Estado a nota C. Mas também não é gravíssima, o que corresponderia à nota D

As viúvas do falecido Tempo Novo vivem comemorando um indício ou outro de que a situação fiscal de Goiás não seria tão grave quanto proclama, quase que diariamente, o governador Ronaldo Caiado. O último motivo para festa foram alguns relatórios da Secretaria do Tesouro Nacional, sintomaticamente divulgados em meio à folia do carnaval, mostrando que, de 2015 a 2018, o Estado teria melhorando seus números quanto a receita, endividamento e outros indicadores da sua área financeira.

 

Sim, é verdade: alguns índices registraram algum avanço positivo, mas não o suficiente para retirar o Estado da sua péssima avaliação mediante os critérios da STN, que atribuem, no momento, a Goiás, a nota C no ranking nacional de qualidade fiscal. Pela tabela, as notas A e B indicam Estados em boas condições, que podem inclusive receber aval da União para contrair empréstimos. O Espírito Santo é a única unidade unidade federativa com direito à nota A. São Paulo, que tem um excelente desempenho, ganha nota B. Na verdade, A e B indicam excelentes performances, mas em seguida vêm C e D e aí a coisa degringola, pois ambas as letras apontam para um grave desequilíbrio financeiro, que no caso da nota D é considerado gravíssimo.

 

Goiás, segundo a STN, é nota C, herança maldita que os governos de Marconi Perillo e Zé Eliton deixaram para Caiado, assim impedido de receber qualquer ajuda do governo federal ou sequer ter acesso a empréstimos avalizados pela União. Sem essa garantia, nenhuma instituição abre qualquer linha de crédito para um Estado.O discurso de Marconi e Zé tentava vender a imagem de um Estado fiscalmente ajustado e financeiramente equilibrado. Falso. Não era nada disso e a bomba acabou estourando no colo do novo governador. Mas também não se trata de um cenário de calamidade financeira, como Caiado vive apregoando e até oficializou por decreto, embora sem nenhuma consequência prática ou real. É a tal história: o paciente, no caso o governo de Goiás, está em situação grave e delicada, mas não gravíssima. Pode ser tratado no quarto do hospital e não precisa ser transferido para a UTI.