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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 mar

Governo Caiado enreda-se em debate infrutífero sobre salários do funcionalismo e vai para o terceiro mês sem cumprir o seu dever de propor uma agenda construtiva para Goiás

Já com o seu terceiro mês em andamento e quase seis meses depois da vitória nas urnas, o governador Ronaldo Caiado continua sem cumprir o seu dever de propor uma agenda construtiva para Goiás e o futuro dos goianos. A pauta exclusiva da nova gestão tem sido a polêmica sobre a folha de pagamento do funcionalismo, primeiro com a sua recusa em quitar parte dos salários de dezembro – o que até hoje não foi feito e não se sabe exatamente quando e como será – e agora com a decisão de pagar o pessoal da ativa dentro do mês trabalhado, mas deixar os inativos para até o dia 10 do mês seguinte.

 

A discussão infrutífera sobre essas questões consome as atenções de Caiado e é tema predominante nas suas declarações públicas, além de ocupar grande espaço no noticiário sobre as atividades do novo governo. Isso, na prática, significa que a gestão instalada em 1º de janeiro abriu mão da sua prerrogativa de apontar um rumo ou apresentar os pontos que devem chamar a atenção da sociedade quanto ao desenvolvimento do Estado e o enfrentamento dos seus principais desafios. No vácuo, atores como os sindicatos de funcionários públicos ou os deputados estaduais avançam sobre o cenário político, os primeiros chegando até a sugerir saídas viáveis para a crise fiscal, como fez o Sindifisco, e os segundos com a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito, como as da Celg-Enel e dos Incentivos Fiscais, destinadas a ganhar repercussão e a gerar desdobramentos até mesmo na economia goiana.

 

Enredado na teia criada pelas suas próprias decisões, Caiado não conseguiu ainda nem mesmo o básico: formatar uma estrutura administrativa condizente com a sua visão e o seu projeto de governo, se é que existe. Um primeiro projeto foi enviado à Assembleia e aprovado, no final das contas aumentando o tamanho da máquina e fabricando mais despesas. Ficou para meados de março uma segunda parte, que traria cortes profundos e finalmente mostraria a cara que o governador imagina para a sua gestão. No entanto, já se sabe que isso não vai acontecer, tanto pelos recuos na disposição de realmente diminuir o tamanho do Estado quanto pela incapacidade de Caiado e sua equipe em transformar em atos concretos as necessidades de reduzir as despesas.

 

Se continuar assim, sem formular um planejamento consistente para os próximos meses e anos, o governo Caiado não passará do plano da mediocridade.