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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 mar

Governo passado se esbaldou com a contratação de consultorias milionárias, que não geraram resultado e cujos contratos precisam ser investigados. Mas Caiado também segue pelo mesmo caminho

O planejamento das políticas públicas, em Goiás, foi sequestrado por um grande número de empresas de consultoria contratadas pelos governos passados, prática que a gestão de Ronaldo Caiado está caminhando para repetir. E o que é grave: geralmente, a custos não amistosos. Para a área social e para a questão previdenciária, Caiado está trazendo os consultores Marcelo Garcia e Paulo Tafner, este último do Rio de Janeiro, tal qual a secretária da Economia Cristiane Schmidt, de quem é amigo. É de se perguntar: isso é mesmo necessário?

 

Consultorias privadas envolvem grandes quantias de dinheiro em troca de um tipo de trabalho que não pode ser matematicamente medido e se pautam pela subjetividade. São minas de ouro e estão por trás de vários escândalos dentro das investigações da Operação Lava Jato, por exemplo, em casos em que funcionaram como justificativa para o desvio de grandes somas. Os notórios Antonio Palocci e Zé Dirceu, como se sabe, atuavam como “consultores”.

 

É possível que, nos governos de Marconi Perillo e Zé Eliton, pelo menos uma dúzia de empresas de consultoria tenha sido contratada para atuar em Goiás. O número exato não é sabido. O então secretário da Educação e em seguida do Planejamento Thiago Peixoto trouxe algumas. A secretária da Fazenda Ana Carla Abrão Costa também encaminhou as suas. Macroplan, Tendências, CLP, Fundação Brava e inúmeras outras apresentaram e receberam suas faturas no guichê de pagamento do governo do Estado em troca de estudos, pesquisas e orientações que jamais geraram qualquer resultado e mal são conhecidas. Um dos objetivos perseguidos seria a conquista de posições melhores no ranking nacional de competitividade, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário: Goiás caiu.

 

É preciso apurar quanto foi gasto com essa farra, através de contratos de licitação e pagamento sem comprovantes, a não ser meras notas fiscais. Não se sabe se Caiado tem interesse nessa apuração: ele também tem um gosto acentuado por consultorias e chegou até a anunciar que uma nova estrutura administrativa para o governo de Goiás seria formatada por uma delas. Aparentemente, não deu em nada. E inúmeras outras estão rondando o Estado, desde que a nova gestão assumiu.