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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 mar

Segundo maior erro de Caiado (o primeiro é a decisão de não pagar a folha de dezembro) foi deixar de fazer uma operação de manutenção e largar as estradas estaduais se deteriorando com as chuvas

O governador Ronaldo Caiado vai completar o terceiro mês da sua gestão sem providências consistentes quanto ao efeito deletério que as chuvas desta época do ano têm sobre as rodovias estaduais. Caiado não organizou nenhuma operação de reparos de emergência nas estradas e o resultado é que os buracos não só proliferam, como vão se emendando uns aos outros, praticamente destruindo trechos da malha asfáltica mais utilizados. O que aconteceu com um ponto da GO-060, nas proximidades de Israelândia, tragado pelas águas e sem condições de tráfego, é só um aperitivo do que vem por aí, em razão do abandono ou inexistência de serviços de manutenção – que seriam de competência da Goinfra, antiga Agetop.

 

Em vez de deflagrar uma operação de emergência assentada na contratação de empreiteiras para dar algum tipo de conservação às rodovias, Caiado preferiu apelar para a ajuda dos prefeitos, pedindo que enviassem homens e máquinas para fazer os consertos – ideia infeliz, já que os municípios, em sua maioria, não têm recursos nem para tapar buracos nas suas ruas urbanas nem para quase nada. Em consequência, as estradas ficaram ao deus dará, situação que deve se agravar, neste março, com a intensificação das chuvas que sempre ocorre na reta final da temporada das águas em Goiás. Não vai adiantar desfiar, como justificativa, o discurso de que a culpa é do governo anterior.

 

Tudo isso vai gerar consequências que vão levar o novo governo a se arrepender da sua inação: trechos que poderiam ter sido resguardados terão que ser reconstruídos, a um custo muito maior, obviamente, além dos pesados desgastes que serão impostos à imagem de Caiado e sua administração, que, a propósito, até hoje não completou o comando da Goinfra, onde três diretorias ainda estão em aberto.

 

Esse erro, em escala de grandeza, pode ser comparado pelos seus desdobramentos com a decisão de não pagar a maior parte da folha de dezembro do funcionalismo, responsável por abrir brechas profundas na aceitação popular do governo – é fato que existem pelo menos três pesquisas de avaliação, desenvolvidas por um instituto de credibilidade em Aparecida, Catalão e Caldas Novas, em que Caiado aparece com no máximo 33% de bom e ótimo.