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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

14 mar

Gosto de Caiado pela criação de grupos de trabalho, comissões, juntas e comitês gestores emperra o governo e adia indefinidamente decisões que já deveriam ter sido tomadas

Talvez produto de uma insegurança quanto as decisões que cabem ao Poder Executivo, natural em quem nunca exerceu atividades públicas a não ser como parlamentar, e também pela ausência de um planejamento quanto ao que fazer em suas semanas iniciais de gestão, o fato é que o governador Ronaldo Caiado tem um gosto acentuado pela formação de grupos de trabalho, comissões, juntas e comitês gestores aos quais ele atribui a responsabilidade de desenvolver estudos e avaliações sobre passos importantes que a sua gestão já deveria ter dado.

 

Desde o seu primeiro dia no Palácio das Esmeraldas que Caiado assina decretos sucessivos instituindo equipes para examinar assuntos estratégicos do governo e encaminhar sugestões, além de formular ideias para setores e situações estratégicas, como, por exemplo, a redução de despesas ou a definição de uma nova estrutura administrativa para o Estado. Só no último dia 12 de março, em um único decreto publicado no Diário Oficial, o de número 9.412, Caiado formou três grupos de trabalho, para apresentar mecanismos para mudar a gestão dos imóveis do Estado, mudar o funcionamento das atuais estatais e, mais uma vez, diminuir gastos – este último item já objeto de outro grupo criado na esfera da Secretaria da Economia.

 

Fora isso, já foi implantada na Secretaria de Planejamento uma turma para analisar a estrutura das atuais pastas e propor mudanças. E mais um comitê na esfera da Segplan e da Controladoria Geral, para coordenar o compliance que Caiado resolveu adotar para todos os órgãos governamentais. E ainda dois comitês: um para políticas públicas em geral e outro para o combate à violência contra as mulheres. Há mais, às vezes, como foi dito, uns sobrepondo-se a outros. E todos esses grupos receberam do governador prazos generosos para apresentar resultados, entre 90 a 120 dias. A consequência inevitável é que nada de concreto, até agora, foi feito em suas respectivas áreas, nem ações mínimas para economizar despesas. A leitora e o leitor já sabem: quando não se quer, resolver, cria-se uma comissão.