Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 mar

Só afastar o atual reitor não resolve o desastre em que a UEG se tornou: uma universidade de fachada que não cumpre suas finalidades e com uma história grave de casos de corrupção que não cessa

Mais uma vez, a Universidade do Estado de Goiás está no centro de um escândalo de corrupção, com a apropriação das verbas do PRONATEC – um programa federal de apoio ao ensino técnico – em favor do seu próprio reitor Haroldo Reimer e de membros da sua assessoria próxima e familiares. Este é só mais um caso dentre os inúmeros que marcam a trágica história da UEG, uma universidade que nunca conseguiu se afirmar como tal, sempre existiu e funcionou de forma precária e está rotineiramente nas manchetes negativas da imprensa (além do PRONATEC, estão aí as notícias sobre a condenação criminal do ex-reitor José Izecias e do inquérito que envolve até um promotor de Justiça de Anápolis, alvo da Operação Quarto Setor, que apura desvio de R$ 10 milhões  da UEG).

 

De modo que, leitora e leitor, não dá para tapar o sol com a peneira, com a solução proposta para que o atual reitor seja afastado e, no final das contas, tudo continue como dantes, com uma universidade estadual que se expandiu sem controle, produz pouco conhecimento para apoiar o desenvolvimento de Goiás e praticamente se limita a formar alunos em cursos com baixíssima avaliação nos rankings de maior credibilidade do país. A UEG precisa passar por uma reformulação, que começaria com a instituição se encarando no espelho da autocrítica e seus professores, alunos e funcionários aceitando debater a sua situação real sem as paixões do corporativismo e da defesa de interesses que não são os da população goiana.

 

Devido à autonomia universitária, há problemas, sim, para que o governo do Estado interfira nas decisões sobre os rumos da UEG, o seu saneamento e a praticamente imprescindível refundação da sua estrutura e objetivos. Mas não dá para fingir que o problema não existe. É um desafio e tanto para a gestão de Ronaldo Caiado, mas as dificuldades não podem afastar a hipótese de uma intervenção, não autoritária, mas através do diálogo – pelo menos uma tentativa nesse sentido. Caiado não foi eleito para mudar Goiás?