Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

26 mar

Surgiu uma possibilidade de socorro do governo federal aos Estados, mas não se sabe como nem quando. A moeda de troco seriam votos para a reforma da previdência, que Caiado, a propósito, não tem

Os governadores deram ontem um aperto no ministro da Economia Paulo Guedes, em reunião em Brasília, atrás de amparo financeira do governo federal. Guedes falou por três horas, admitiu estudar um plano para dar apoio aos Estados, porém não definiu nem quando nem como. Falou somente em hipóteses, como a liberação de empréstimos que funcionariam como adiantamento para futuras privatizações de ativos estaduais.

 

Há um cheiro de conversa mole no ar. Repassar recursos extraordinários aos Estados sempre foi uma prática que acabou resultando em prejuízos para o país. Por natureza, as unidades federativas gastam mal e perseveram no mau hábito de desperdiçar preciosos recursos públicos. O governo federal, nessa área, é obrigado a pisar em ovos, para não comprometer sua estabilidade fiscal, que já é precária diante de rombos como o da previdência. Aliás, o ministro Guedes flerta com os governadores exatamente para não espantar e possivelmente atrair votos para a reforma da dita cuja, em xeque no Congresso, fingindo um interesse em ajudar que não é real: a regra, nas últimas décadas, foi a do endurecimento com os Estados, que mesmo submetidos a um regime de dieta radical não conseguiram emagrecer.

 

É fato que, politicamente, a contrapartida dos governadores para a ajuda que poderia sair de Brasília seriam votos para aprovar a matéria, hoje em situação delicada devido as trapalhadas da família do presidente Jair Bolsonaro e do próprio. Nesse particular, a situação não é boa para goiano Ronaldo Caiado, um dos que mais estende o chapéu esperando ouvir o tilintar das moedas do Tesouro Nacional. Caiado não tem votos para dar em retribuição. Ninguém da bancada federal – 3 senadores e 17 deputados – tem motivos para acompanhar alguma possível orientação sua a respeito da previdência. Quem sabe, um, o senador Luiz Carlos do Carmo, que assumiu na vaga de Caiado e conseguiu emplacar o irmão em um cargo importante no governo de Goiás, a presidência da Agehab. Fora daí, não há mais ninguém comprometido com o governador – que, desde que foi eleito, nunca chamou a um ou a outro para uma conversa ou o conjunto dos parlamentares para um encontro e não atendeu nenhum deles.