Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 mar

Prudentemente, Caiado, mesmo convidado, não aparece na “vistoria” da obra do novo prédio da Assembleia, um monumental desperdício de mais de R$ 100 milhões de reais que vem vindo aí

Apesar de convidado oficialmente pelo presidente Lissauer Vieira e ter a sua presença fartamente anunciada no site da Assembleia Legislativa, o governador Ronaldo Caiado não compareceu ao convescote armado para os deputados e seus convidados com a finalidade de comemorar o reinício da construção da nova sede do Poder, um prédio de quatro andares que vai torrar mais de R$ 100 milhões em recursos estaduais nos próximos três ou quatro anos. E isso se não houver atrasos ou os tradicionais aditivos que são característica inseparável das obras públicas em Goiás, que algumas vezes acabam até dobrando o valor dos gastos.

 

A Assembleia funciona muito bem no edifício da Alameda dos Buritis, aliás uma invasão das muitas que distorceram o planejamento urbanístico de Goiânia (até os procuradores e promotores estaduais ocuparam irregularmente uma praça no setor Bueno para instalar a sede da sua associação funcional). O novo palácio parlamentar é um desperdício. E ainda mais em um momento em que o governo do Estado apregoa dia e noite uma situação de calamidade financeira. É um investimento, defendeu-se Lissauer Vieira ao discursar durante a vistoria? Sim, mas não em qualquer política de interesse da população. Investimento no conforto dos deputados. É bom anotar que não há nenhuma outra Assembleia, em qualquer parte do país, tocando qualquer coisa parecida. Os Estados estão em crise financeira e não seria oportuno.

 

Caiado agiu com prudência ao não dar as caras para prestigiar uma iniciativa que vai contra o seu discurso e o compromisso que o levou a ser eleito com votação recorde e em 1º turno. Em palavras simples e diretas, trata-se de uma afronta que a sociedade, se fosse consultado em um plebiscito, rejeitaria por maioria absoluta. Se o governador aparecesse por lá, estaria endossando uma verdadeira loucura.