Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 mar

Caiado renomeou na Saneago um assessor de alto escalão que já tinha sido preso e agora o foi novamente, envolvido em desvios de milhões de reais. O governador está devendo desculpas aos goianos

Tudo o que precisa de explicações e justificativas… não serve. Nesta sexta-feira, na esteira de mais um escândalo da maior gravidade, envolvendo o desvio de valores milionários na Saneago, nos governos passados, a estatal foi forçada a se manifestar para esclarecer a permanência, nos seus quadros, de um assessor de alto escalão envolvido até o pescoço em transações irregulares, tanto que, antes da posse da Ronaldo Caiado, já havia sido preso e pelo mesmo motivo que agora o levou de retorno às grades.

 

Trata-se de Robson Salazar, peça-chave das investigações da Operação Decantação, que desbaratou uma rede de agiotagem, pagamentos superfaturados, lavagem de dinheiro e mais uma miríade de crimes financeiros na esfera da Saneago – na época dos governos de Marconi Perillo e Zé Eliton. Mas não só: segundo o Ministério Público Federal, a mesma quadrilha continuava agindo sob o manto da atual gestão. Vejam bem, leitora e leitor: a palavra atual foi usada pelo MPF e diz respeito, sim, ao governo de Ronaldo Caiado, o mesmo que diariamente repete diariamente aos goianos o mantra do “podem confiar em mim, a corrupção acabou em Goiás”.

 

O que as investigações descobriram? Chocante: que Robson Salazar, alto funcionário da Saneago preso na 1º fase da Operação Decantação, foi reconduzido pelo governo Caiado às mesmas funções onde privilegiou o esquema de desvio de dinheiro encabeçado pelo ex-chefe de gabinete do então governador Marconi Perillo – Luiz Alberto de Oliveira, o Bambu. A desculpa pela renomeação é velha conhecida de todos: “Eu não sabia”, mandou dizer o presidente da empresa, Ricardo Soavinski, importado por Caiado do Paraná, que por sua vez importou outro manda-chuva para a Saneago, Paulo Rogério Battiston, suposto responsável pela readmissão de Robson Salazar – atitude que, a se tratar de um governo sério e realmente comprometido com o combate à corrupção, deveria levar à sua imediata e sumária demissão. Eles buscaram Robson Salazar de volta, o que autorizou o MPF a afirmar, com todas as letras, que o esquema criminoso continua em ação dentro da empresa – em pleno governo do moralizador Caiado.

 

A blindagem moral de qualquer gestor público não é rompida apenas por grandes explosões, mas também através de pequenos furos, que vão se somando até romper o dique. Caiado nomeou um réu em quatro processos por improbidade administrativa para a Agehab. Indicou para o Conselho Estadual de Educação um ex-dirigente do DEM que, em dezembro, foi condenado a mais de sete anos de prisão por corrupção. E agora, verifica-se que colocou na Saneago um investigado que acaba de ser alvo da sua segunda prisão pelos malfeitos cometidos. Há mais por aí. E não adianta explicar ou justificar. Tudo o que precisa de muita explicação ou justificativas, não serve. Melhor pedir desculpas aos goianos.