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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 mar

Klayton e Diogo, duas vidas perdidas à toa nos hospitais estaduais, são um alerta para o médico e governador Caiado: se um paciente fica sem atendimento, então todo o sistema de saúde é falho

Diogo, de cinco anos. Klayton, com apenas dois dias de existência. Ambos morreram aguardando atendimento, o primeiro no Hospital Materno-Infantil e o segundo no Hospital de Urgências de Trindade. São sacrifícios que não podem ficar em vão e deveriam servir para acordar o governador Ronaldo Caiado – e o seu secretário da Saúde Ismael Alexandrino – quanto a necessidade de implantar de fato uma mudança no sistema estadual de atendimento médico à população carente.

 

É, aliás, um assunto sobre o qual Caiado fala quase todo dia, sempre lembrando a sua condição de médico experimentado. Mas, perto de completar 100 dias de governo, ele não promoveu nenhuma intervenção na área da saúde, a não ser inaugurar uma incubadora no Materno-Infantil e leiloar dois carros de luxo para doar o dinheiro arrecadado ao hospital (o valor foi correspondente a 0,1% das necessidades financeiras do HMI). Brincadeira, dirão vocês, leitora e leitor. Sim, brincadeira. E para piorar as coisas, Caiado, que tanto fala, fala e fala, calou-se diante da tragédia dessas pequeninas vidas perdidas.

 

O sistema de saúde estadual não comporta meias medidas. É fato que avançou com a entrega da administração dos hospitais públicos às organizações sociais nos governos de Marconi. As OSs tiraram esses estabelecimentos das manchetes negativas diárias. Caiado recebeu essa herança venturosa, mas não soube o que fazer para avançar com ela. Nem tudo era ou é perfeito, comprovam as mortes de Diogo e Klayton. Na Saúde, com a vida humana em jogo, é tudo ou nada. Se um único paciente deixa de ser ou é mal atendido, então todo o complexo de prestação de serviços e atendimento é falho. Basta um. Agora, foram dois.