Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 mar

Morte de criança nos corredores do Hospital Materno-Infantil, depois de 11 horas aguardando internação, soa como a hora em que Caiado deveria parar de falar, falar, falar e passar finalmente a agir

A morte de uma criança de 5 anos nos corredores do Hospital Materno-Infantil, depois de 11 horas aguardando internação, deveria servir ao menos para chamar o governador Ronaldo Caiado à realidade e fazê-lo entender que precisa parar de falar, falar, falar e finalmente passar a agir concretamente para fazer a mudança que anunciou na campanha e o fez destinatário de uma votação histórica – que deu a ele vitória no 1º turno.

 

O Hospital Materno-Infantil é emblemático para Caiado. Somente depois de tomar posse, ele o visitou quase 10 vezes, achou tempo até para inaugurar uma incubadora e envolver em uma das grandes sacadas de marketing do seu governo, ao mandar leiloar dois carros de luxo da frota do Palácio das Esmeraldas e entregar os recursos arrecadados ao estabelecimento. No saguão e na porta de entrada do HMI, o governador deu entrevistas em que lembrou aos goianos que é médico e nessa condição saberia como implantar o melhor atendimento médico possível para a população, realizando a transformação com que se comprometeu para ganhar a eleição. A morte do menino Diogo, exatamente quando Caiado completou três meses de mandato, é um tapa na cara dele e da sociedade, que tem sido complacente com uma gestão que tarda em avançar e até hoje não saiu do discurso político para apresentar medidas que realmente levem alento para a população. Três meses são muito tempo.

 

Para piorar o que já estava ruim, Caiado e seu secretário da Saúde Ismael Alexandrino calaram-se vergonhosamente sobre a tragédia que ocorreu no Hospital Materno-Infantil. Não apareceram nem para repetir o mote batido de que a culpa seria do governo anterior. Ninguém se manifestou, nem sequer para enviar flores protocolares para consolar a família. Uma tia do garoto, ouvida pela imprensa, pronunciou a frase que se transformou na manchete dos jornais e noticiosos televisivos: “Quantos Diogos terão que morrer?”, extraindo do triste episódio uma lição de dignidade que o governador e seu secretário da Saúde parece que ainda não aprenderam.

 

Quantos Diogos terão que morrer, governador Caiado?