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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 abr

Caiado prometeu pagar os salários do seu governo até o dia 30 e não cumpriu. Justiça se faça: a secretária Cristiane Schmidt sempre disse que isso não seria possível. Ficou ruim para o governador

O compromisso que o governador Ronaldo Caiado fez, anunciando com estardalhaço o pagamento dentro do mês trabalhado dos salários do funcionalismo inerentes ao seu governo, só foi levado a sério em janeiro. Em fevereiro, apenas os ativos receberam assim, ficando os inativos para o dia 10 de março. E, agora em março, o próprio Caiado transferiu a quitação da folha, na sua integralidade, para o dia 10 de abril.

 

Palavra empenhada, palavra quebrada – coisa rotineira entre os governantes brasileiros e, especialmente, goianos. Mas justiça de faça: é preciso reconhecer que a secretária da Economia, a economista carioca Cristiane Schmidt, sempre disse que cumprir o prazo estabelecido pelo governador seria muito difícil, senão impossível. Na prática, foi a subalterna ousando desmentir o chefe, mas, vê-se finalmente, coberta de razão. O Estado não tinha mesmo condições financeiras, como ela ressaltou em alto e bom tom, e continua sem ter. Não há como quitar os salários dos servidores até o dia 30 – e pior ainda com uma pendência pesada em aberto, ou seja, o restante da folha de dezembro (que começou a ser pago na última sexta-feira, dia 29 de março).

 

O episódio deixou Caiado mal e a secretária da Economia bem. Ficou claro que ela, sim, é que tem as rédeas do caixa estadual e sabe das suas possibilidades, o que leva a uma conclusão: suas opiniões deveriam ser mais ouvidas pelo Palácio das Esmeraldas. Se assim fosse, o governador teria sido poupado do vexame de fazer o que tanto condena nos governantes do passado: prometer e não cumprir, prática atrasada da velha política de sempre.