Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 abr

É tudo estranho na estória da denúncia anônima divulgada pelo Ministério Público, envolvendo Marconi, um desembargador, barras de ouro, uma casa de US$ 250 milhões de dólares e até o governo Caiado

Não há nada menos do que muito estranho no último, digamos assim, escândalo que acaba de ocupar as manchetes da imprensa estadual, a partir da divulgação de uma denúncia anônima que chegou ao Ministério Público, envolvendo o ex-governador Marconi Perillo , um desembargador (Nicomedes Borges, da turma do falecido Zé Gomes, de Itumbiara), barras de ouro, uma casa de US$ 250 milhões de dólares nos Estados Unidos e até o governo de Ronaldo Caiado.

 

Sim, o governo Caiado. A tal denúncia, esdruxulamente colocada em público por uma instituição do peso do MPE, sem nenhuma apuração, relata que a contratação de uma empresa para elaborar o novo logotipo da Saneago teria sido manipulada para atender a interesses de funcionários da estatal – aquela que, entregue ao paranaense Ricardo Soavinski e aos “técnicos” que trouxe de fora, escorrega pela segunda vez, sendo a primeira a recontratação de um alto funcionário, Robson Salazar, que havia sido preso pela Polícia Federal e o foi novamente, por estar no olho do esquema de desvio de dinheiro público que, segundo agora o Ministério Público Federal, continua operando dentro da Saneago.

 

Vamos lá, leitora e leitor: como pode o Ministério Público divulgar uma denúncia anônima, sem nenhuma comprovação documental, eivada de maluquices, como a acusação de que um alto funcionário da Saneago teria adquirido uma casa de US$ 250 milhões de dólares nos Estados Unidos? Isso corresponde a cerca de R$ 1 bilhão de reais e é possível que, naquele país, não exista nenhuma unidade residencial com um valor estratosférico como esse. Nem os magnatas do Google, da Apple ou da Microsoft, com todas as suas extravagâncias, são proprietários de casas com tal valor.

 

E as barras de ouro que teriam sido entregues a Marconi, em seu sítio em Pirenópolis? Não há nada mais rastreável do que ouro em espécie. Se fosse verdade, seria pinto para a polícia ou os promotores a elucidação da origem desses ativos, ou seja, onde foram comprados, por quem e como e quando foram pagos. Mas a tal denúncia, que inaugura um novo capítulo nas estrepolias do Ministério Público não só em Goiás, como também em termos de Brasil, se limita a fazer afirmações, sem, como já se disse, nenhuma comprovação. Isso, em um país sério, levaria a uma punição dos responsáveis pela propagação da notícia – em se tratando de um órgão oficial – sem um mínimo de investigação sobre a sua veracidade.

 

A promotora Villis Marra, ao que parece situada na origem de toda essa patacoada, recebia barras de ouro em seu gabinete no Ministério Público, poderia denunciar algum louco varrido e postar no site do MPE, na aba destinada à coleta de informações anônimas. Isso seria divulgado?