Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 abr

Em mais um erro infantil, Caiado promove reunião para contar os deputados que estão na sua base de apoio na Assembleia e só piora as coisas: apenas 22 comparecem, número que só mostra debilidade

Embora tenha como figura principal um político que passou a sua vida atuando como parlamentar no Congresso Nacional e por isso deveria exibir experiência de sobra, o governo do Estado continua cometendo erros infantis e caminha para produzir mais uma derrota de expressão na Assembleia Legislativa – onde conseguiu a façanha de ser humilhado na eleição do novo presidente do Poder (o próximo embate é a votação do projeto que obriga o Executivo a pagar as emendas dos deputados até um limite de 1,2% do orçamento).

 

Nesta segunda-feira, os deputados estaduais supostamente dispostos a integrar a base de apoio do Palácio das Esmeraldas foram reunidos, digamos assim, para uma contagem dos votos. Ação amadorística, diga-se de passagem, já que só serviu para expor fragilidade e em hipótese alguma poderia gerar um fato positivo. É simples: basta faltar um ou outro deputado ou que algum saia antes do fim da reunião, para que se evidencie a interpretação de que a iniciativa foi um fracasso. Ou então que o quorum registrado não tenha muita expressão: em um colegiado de 41 deputados, seria uma demonstração de força o comparecimento de dois terços ou mais, algo em volta de 30 parlamentares – isso, sim, uma base de apoio realmente sólida e capaz de garantir a governabilidade.

 

Pois a reunião dos deputados pró-Caiado falhou em todos esses quesitos. Só estiveram lá 22 deputados, dos quais dois – um deles o presidente Lissauer Vieira e outro o emedebista Paulo Cezar Martins – abandonaram o encontro bem antes da sua conclusão, deixando um gosto ruim para trás. Três, considerados caiadistas de primeira hora (quer dizer, estiveram na campanha de Caiado e foram eleitos com ele) não foram sequer convidados: Iso Moreira, Major Araújo e Cláudio Meirelles. De modo que, se o conclave teve a finalidade de exibir algum tipo de apoio consistente na Assembleia, acabou gerando um efeito contrário: deixou patente que Caiado, se tiver alguma maioria legislativa, a tem em termos precaríssimos e absolutamente inconfiáveis para arriscar a apreciação de matérias polêmicas.

 

A ideia de fazer a reunião para contar os votos foi de uma ingenuidade espantosa e provavelmente deve ter contribuído para acender ainda mais os ânimos da oposição e dos deputados insatisfeitos com Caiado. Tanto que eles já programaram uma reunião para esta terça, para consolidar os 35 votos que esperam ter para a aprovação do orçamento impositivo.