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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 abr

Desculpas de Caiado para justificar a manutenção de funcionários corruptos na Saneago (até um que já havia sido preso) são insuficientes e mostram que moralização do governo precisa ir além do discurso

Causa constrangimento a leitura da mini-entrevista que o governador Ronaldo Caiado deu agora há pouco a O Popular, tentando explicar ao jornal porque dois funcionários da Saneago alcançados pela 3ª fase da Operação Decantação – deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal – estavam em atividade na empresa, um deles, inclusive, recontratado como comissionado na importantíssima função de pregoeiro e membro da Comissão Permanente de Licitação, onde já estava desde o governo passado.

 

Os dois só foram afastados agora por medida cautelar proposta pelo Ministério Público Federal junto à Justiça Federal, o que significa que, a depender do novo presidente da Saneago, Ricardo Soavinski(na foto acima, assinando o termo de posse, sob o olhar sorridente do governador), importado do Paraná por Caiado, ele continuaria no cargo. Isso é muito grave. Mais ainda quando se lê as explicações do governador, que, em última análise, podem ser interpretadas como uma defesa dos acusados. Ele chegou até a afirmar que não poderia exonerar esses funcionários sem comprovação documental de que estariam envolvidos em irregularidades. Não poderia, não. Não pode. Falta de decisão que, provavelmente, originou o afastamento judicial de ambos, já que o governo e a estatal não tomaram providências.

 

O Caiado que vocês conheciam, leitora e leitor, não é o mesmo que está no Palácio das Esmeraldas. Em sua entrevista, ele ignorou o fato de que um terceiro incriminado, Robson Salazar, havia sido preso na 1º fase da Operação Decantação, mas mesmo assim foi renomeado pela atual gestão para uma assessoria de alto nível na Saneago. Só por isso o Caiado de antigamente demitiria o presidente Soavinski sem ouvir desculpas. O de hoje o engoliu mansamente.

 

É triste ver o novo governador, em última análise, defendendo a manutenção de servidores corruptos, alegando não ter como agir e precisar de provas substanciais. Não é assim que funciona. A Saneago, está mais do que evidente, é o maior foco de corrupção do governo passado. Barato, barato, corresponde a umas 10 Odebrechts e suas malas e mochilas para Jaime Rincón e Marconi Perillo. Não é possível, claro, afirmar que o seu presidente está enrolado no que aconteceu. Nem de longe. Mas ele e a equipe que trouxe de fora foram e são frouxos quanto ao rigor que a situação da empresa exige. E acabaram contaminando Caiado.