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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 abr

Orçamento impositivo e título de cidadão para Bolsonaro: chegou a hora de testar a base de Caiado na Assembleia. Mesmo com o “balcão de negócios” do governo aberto, risco é grande

Duas matérias que estão na bica para serem votadas no plenário da Assembleia Legislativa – e isso pode começar a acontecer a partir desta quinta-feira – deverão servir como teste para a suposta base de apoio parlamentar do governador Ronaldo Caiado, até hoje ainda indefinida e nenhuma aparência de solidez. Uma é o título de cidadão goianiense para o presidente Jair Bolsonaro, uma bobagem sem tamanho que acabou gerando polêmica, e outra o projeto que amplia o orçamento impositivo para 1,2% (garantindo aos deputados o direito de emendar o orçamento até esse limite, ficando o governo obrigado a pagar dentro do exercício friscal).

 

O Palácio das Esmeraldas fala em 26 deputados fechados com os interesses do governo. A oposição duvida. Uma reunião convocada para contar os votos, no início desta semana, atraiu apenas 22 parlamentares. Dois, sendo um deles o presidente da Assembleia Lissauer Vieira, sequer ficaram até o final do encontro (o outro foi o emedebista Paulo Cezar Martins). Para tentar chegar aos hipotéticos 26, abriu-se o que o deputado caiadista Major Araújo definiu como “balcão de negócios”, com a oferta de cotas de R$ 30 mil em nomeações e possibilidade de indicações para diretorias e superintendências. Seja como  for, é uma maioria precária. Na Assembleia, bases de apoio a governos, consistentes, sempre estiveram acima de 30 deputados.

 

Caiado, que prometeu dar fim aos “conchavos” na sua gestão, delegou a função de negociador ao secretário de Governo Ernesto Roller e ele tem se virado como pode, mas enfrenta dificuldades para superar um cacoete a que a classe política estadual se viciou nos 20 anos de poder do ex-governador Marconi Perillo: a atuação pessoal do governador no relacionamento do Executivo com o Legislativo e, de resto, com a própria sociedade. Caiado, ao que tudo indica, tem ojeriza a perder tempo adulando deputados, prefeitos ou qualquer tipo de lideranças, ao contrário do seu antecessor, que tinha gosto e jeito para essa tarefa. Isso faz falta e prejudica o estabelecimento de um respaldo seguro e tranquilo para a governabilidade na Assembleia.