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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 abr

Corredores vazios do Palácio Pedro Ludovico simbolizam não apenas redução dos funcionários comissionados, mas também distanciamento entre o governo Caiado e a sociedade

Quem primeiro notou foi o jornalista Divino Olávio, que escreveu uma nota no jornal Diário Central registrando a falta de movimento nos saguões e corredores do Palácio Pedro Ludovico desde que o governador Ronaldo Caiado tomou posse. Antes muito movimentados, os espaços agora estão vazio e os elevadores, que viviam lotados, sobem e descem carregando pouca gente. Não há filas, mesmo com a decisão do novo governo de cancelar automaticamente o cadastro de identificação dos visitantes caso completem 30 dias sem uso. Do lado de fora, a ampla calçada perdeu o antigo burburinho: só há alguma agitação quando funcionários insatisfeitos com a questão do pagamento dos seus salários aparecem lá para protestar, como os professores da rede estadual, por exemplo, que chegaram até a realizar ali a assembleia que decidiu pela greve em andamento.

 

Para Divino Olávio, o ermo em que se transformou o Palácio Pedro Ludovico tem a ver com os cortes que Caiado teria feito no quantitativo de funcionários comissionados. Tanto, diz ele, que circulando pelo prédio é possível encontrar salas e salas desocupadas, apenas com os móveis e computadores em silenciosa prontidão.

 

Mas é provável que a explicação vá um pouco mais adiante. Sim, aparentemente diminuiu o número de servidores do governo. Ocorre que é também possível localizar um certo distanciamento da nova gestão em relação à sociedade. Primeiro, pelas características do próprio Caiado, que é de Anápolis e desenvolveu a sua carreira política em Brasília, sem cultivar conexões na capital, daí as dificuldades que teve para escolher seus auxiliares. Depois, como decorrência dessa premissa, a forte presença de nomes de fora no secretariado e nas suas respectivas assessorias, gente que, obviamente, não conhecia ninguém em Goiás e começa só agora a criar laços. E, por último, o fato de que o governo é exageradamente autossuficiente  e não desenvolveu ainda, se é que vai desenvolver um dia, canais de comunicação com a sociedade – englobando-se aí a classe política, que tem participação zero nas decisões governamentais. Em consequência de tudo isso, raras são as pessoas, além dos funcionários, que têm alguma coisa a fazer ou são chamadas ao Palácio Pedro Ludovico.

 

Cada governador e cada governo tem o seu jeito de ser, inclusive em razão do direito adquirido com a vitória nas urnas. Goiás terá de se acostumar ao estilo solitário e ocluso de Caiado e à sua legião estrangeira.