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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

07 abr

Segunda parte da reforma administrativa tem a proposta ousada de economizar R$ 500 milhões em 4 anos. Não é fácil e tanto que a primeira parte não diminuiu os gastos em nada e até aumentou

Finalmente, nos próximos dias, se não houver nova postergação, o governador Ronaldo Caiado deve anunciar a segunda parte da sua reforma administrativa, que tem a pretensão ousada de poupar R$ 500 milhões em gastos com a estrutura do Estado nos próximos quatro anos.

 

Não vai ser fácil. A primeira parte da reforma foi um fiasco, com o governo no final das contas tendo que engolir os seus próprios cálculos apontando para alguma economia, ao admitir que houve apenas uma adequação da máquina administrativa aos seus propósitos – depois que o projeto foi aprovado na Assembleia Legislativa e deu chance para a oposição, coberta de razão, mostrar que não ocorreria nenhuma redução de despesas.

 

E não houve. Ao contrário, Caiado criou mais cargos e ressuscitou secretarias que foram extintas e até hoje parecem desnecessárias – como as de Cultura, de Esporte & Lazer e de Agricultura, nada mais que decorativas. A segunda parte da reforma administrativa ainda depende do OK dos deputados estaduais, entre os quais Palácio das Esmeraldas ainda patina na tentativa de formatar uma sólida base de apoio, mesmo tendo aberto um “balcão de negócios” para comprar votos na Assembleia, como denunciou o deputado Major Araújo, diga-se de passagem aliado de primeira hora do novo governador.

 

Sem cortes drásticos, liquidação de órgãos inúteis ou superpostos e uma política corajosa de privatizações e concessões, mas apenas recorrendo a remanejamentos e fusões, é utopia falar em economia de R$ 500 milhões. Vamos aguardar o inteiro teor do projeto.