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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 abr

Caiado completa 100 dias aguardando um milagre de Brasília para superar as dificuldades financeiras, com a gestão marcada por medidas aleatórias e sem peso para influir positivamente no futuro de Goiás

Ao fazer uma avaliação dos 100 dias do governador Ronaldo Caiado, o deputado Talles Barreto – ainda aprendendo a fazer oposição, mas já a maior voz crítica diante da nova gestão do Estado – classificou o período como “lastimável”, dada a ausência de medidas de fundo capazes de resolver a suposta crise fiscal e definir um rumo para Goiás.

 

Nem tanto. “Lastimável” é um pouco exagerado. Mas a centúria caiadista na administração estadual também não é lá um sucesso. Basicamente, a estreia do novo governador foi negativamente marcada pela decisão infeliz de não pagar o mês de dezembro ao funcionalismo, o que acabou gerando uma espiral de desgastes que parece não ter fim e experimenta seu auge agora com a greve dos professores que reivindicam a quitação da barrigada que levaram e ainda acrescentaram mais uma exigência, a de que a folha seja liquidada dentro do mês trabalhado – palavra que Caiado empenhou logo nos primeiros dias após a posse, mas não cumpriu.

 

O tratamento que o Palácio das Esmeraldas deu e continua dando à folha de dezembro viola todo e qualquer manual de política. Não tem sentido esticar indefinidamente uma crise que, como se vê, tem formidáveis reflexos sociais e políticos e, a esta altura, mais parece birra que conduta administrativa. Fora isso, o que se tem é o discurso já um tanto exaurido dos embaraços financeiros e algumas medidas aleatórias, muitas das quais aumentando as despesas e se chocando com o que o próprio Caiado diz sobre as condições das finanças estaduais – como os mais de R$ 70  milhões mensais que concedeu em mimos aos servidores da Educação e da Segurança ou a quase todos, como o auxílio alimentação que agora é distribuído a qualquer funcionário com vencimento até R$ 5 mil mensais. E outras diminuindo uma taxa no Detran, mobilizando inutilmente prefeitos para consertar rodovias, implantado um compliance que no primeiro órgão visado, a Saneago, não funcionou, e mais irrelevâncias muito parecidas, tipo festa na Praça Cívica e mais festa em Rio Verde.

 

São contradições difíceis de explicar, para quem prometeu cortar no osso e, ao contrário, baixou uma reforma administrativa que recriou secretarias, inventou novos cargos e também acabou adicionando mais gastos. Diz-se que haverá uma segunda parte para essa reforma, mas ela até hoje não apareceu. O que se ouve é que Goiás continua aguardando uma milagrosa ajuda do governo federal, que, aliás, leva Caiado a passar grande parte do seu tempo em Brasília adulando o presidente Jair Bolsonaro e a sua equipe econômica, em vão, enquanto assiste ao derretimento da gordura que adquiriu nas urnas. Nada a lastimar, mas, tudo somado, insuficiente para uma comemoração.