Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 abr

Desde a eleição, Caiado já passou dos 200 dias (ou quase 7 meses) e por isso seu balanço poderia ser mais consistente, em vez de mostrar um governo de improviso e sem planejamento estratégico para Goiás

Em que pese o notável esforço de auto-exaltação, cuja maior demonstração é o artigo que publicou nesta quarta na página 2 de O Popular, quando citou o evento da domingo passado na Praça Cívica como prova de que a sua gestão é aprovada pela população, o governador Ronaldo Caiado precisa fazer uma autocrítica e avaliar a hipótese de que, talvez, a sua gestão não venha caminhando tão bem quanto imagina.

 

Caiado já tem mais de 200 dias desde que foi eleito, em 7 de outubro do ano passado. Ou quase 7 meses. A exemplo do artigo em O Popular, que gasta mais da metade do seu texto criticando com razão os governos passados, esse largo espaço de tempo foi gasto muito mais com o discurso da herança maldita e das dificuldades financeiras do que com uma agenda positiva. A duzentena caiadista foi marcada por medidas aleatórias e declarações de intenção que, na prática, estão longe de configurar o que Goiás realmente precisa – que é um planejamento estratégico e uma definição para os seus rumos, através de projetos efetivamente estruturantes e não micromedidas das quais nenhum governo pode fugir, mas jamais suficientes caracterizar a essência de uma gestão.

 

É possível que a origem de todos os males do atual governo – como, por exemplo, a fatídica decisão de dar uma pança nos servidores quanto aos salários de dezembro – tenha a ver com a espetacular vitória que Caiado colheu nas urnas, dando a ele a convicção ter ganho mais que um mandato, mas o direito de se considerar um ser tão superior como clarividente, devidamente autorizado pelas urnas a fazer do jeito que entender o bem pelo povo. Foi uma votação que, exagerando, beirou a unanimidade. Isso está claro no artigo em O Popular, quando o governador se arvora a ter finalmente introduzido a ética e o republicanismo no governo de Goiás – ignorando ostensivamente a nomeação de parentes, a indicação de auxiliares que são réus em processos por improbidade, o acolhimento de funcionários já presos antes em investigações de corrupção na Saneago e a indicação de pessoas legalmente desqualificadas para os Conselhos de Educação e de Cultura, inclusive um condenado por corrupção a mais de 7 anos de prisão.

 

Mas isso também é micro. Vamos lá: o que falta para o Caiado é apresentar uma visão com conteúdo para o futuro dos goianos, muito além da mera repetição diária da arenga sobre a crise fiscal – que não é tão grave quanto a de outros Estados (Rio Grande do Sul e Minas Gerais, por exemplo) e pode ser resolvida por um ataque corajoso na própria esfera de resolução do governador, sem necessidade da sonhada e milagrosa ajuda que poderia um dia vir de Brasília – e provavelmente não virá. O que Caiado pretende para Goiás? A bússola do governo está com a agulha quebrada e precisa de conserto, antes que seja tarde demais.