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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 abr

Maiores destaques dos 100 dias do governo Caiado foram a infeliz decisão de não pagar dezembro e a acachapante derrota na disputa pela presidência da Assembleia

Os maiores destaques dos primeiros 100 dias do governador Ronaldo Caiado foram negativos: um, a fatídica e infeliz decisão de não pagar ao funcionalismo o mês de dezembro, que está origem dos acentuados desgastes que a nova gestão sofre em seus passos iniciais, e, outro, a fragilidade política revelada pela monumental derrota na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa, que se projeta até hoje na falta de formatação de uma base parlamentar em condições de garantir a governabilidade do Palácio das Esmeraldas.

 

Nos balanços que fez sobre a sua centena no poder, em um artigo de auto-exaltação em O Popular e também em uma entrevista coletiva, Caiado não citou nenhum desses dois tropeções e ressaltou, como referência para o período, 1) o que acredita ser a volta da ética e do republicanismo ao governo, com a sua posse, e 2) projetos que mal começam a sair do papel, como o sistema de compliance público que pretende implantar nas repartições, mas escorregou feio em sua estreia na Saneago – onde servidores que até haviam sido presos em operações policiais contra a corrupção foram renomeados pela nova gestão e só afastados, agora, porque um juiz federal assim o determinou. No artigo em O Popular, a festa de domingo passado na Praça Cívica mereceu duas menções e foi apresentada pelo governador como a prova de que o “povo” está satisfeito e apóia a sua gestão, afirmação que chega a preocupar quanto a sintonia do novo governador com a realidade.

 

Mas a verdade é que a comemoração dos 100 dias deve ter levantado as antenas de Caiado. Ele é um político experiente e deve ter notado que suas mãos estão um pouco vazias: no artigo e na entrevista, não havia muito para exibir, pelo menos não no sentido da mudança que foi prometida na campanha e motivou o toró de votos que os eleitores deram ao seu nome. A mensagem continua a mesma de antes da eleição: vocês, goianos, confiem em mim para a construção de um Estado melhor. Quando e como, ninguém sabe ainda.