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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 abr

Talles Barreto, que quer presidir o PSDB estadual, assume posições ousadas para tentar a reconstrução do partido e diz que “Marconi é passado” e “página que precisa ser virada”

É inconteste que o deputado estadual Talles Barreto, do PSDB, tornou-se hoje a principal voz de oposição ao governador Ronaldo Caiado. Da pouca e quase nenhuma atividade de crítica ou ataque a Caiado, a maior parte sai da boca e dos movimentos do parlamentar – inclusive, no momento, a emenda que amplia o orçamento impositivo, a grande dor de cabeça que o Palácio das Esmeraldas enfrenta na Assembleia Legislativa.

 

Talles Barreto é agora também candidato a presidente estadual do PSDB. A eleição será no próximo dia 4 de maio e tem mais dois pretendentes: o ex-prefeito de Catalão Jardel Sebba e o atual prefeito de Goianira, o Carlão. Em relação a esses dois, a proposta do deputado para o partido parece ser anos-luz mais avançada e ousada. Ele simplesmente defende a refundação do PSDB em Goiás ao largo do ex-governador Marconi Perillo, que considera como “passado” e “página virada”, conforme disse em entrevista à rádio Sagres.

 

Marconi, como se sabe, foi a principal figura do PSDB nos últimos 20 anos. Pelo sim, pelo não, nenhuma outra liderança tucana despontou em Goiás nesse período. À sombra do ex-governador, só cresceu mato e erva daninha. Mas grande líder acabou esmagado por uma impressionante derrota eleitoral, ao terminar a disputa pelas duas vagas no Senado em 5º lugar, com um agravante: nos maiores colégios, como Goiânia, Aparecida e Anápolis, ficou em 6º lugar. E só ganhou em duas cidades: Palmeiras e Mimoso. Ao mesmo tempo, o mundo desabou sobre a cabeça de Marconi, com a sequência de ações judiciais e uma operação policial que o levou para a cadeia por 24 horas. Não há imagem que sobreviva a uma sucessão de calamidades dessa dimensão. Para completar, o ex-governador assinou um contrato de consultoria com a Companhia Siderúrgica Nacional, pelo qual se comprometeu a não se envolver ou participar da política, nem em Goiás nem nacionalmente.

 

Reconstruir o partido sem a sua antiga maior figura, como projeta Talles Barreto, não passa de um exercício de realismo. É se render à realidade. Possivelmente, nem o próprio Marconi vai querer se envolver. “A contribuição de Marconi ao PSDB já foi. Se for para ficar no passado, nem eu quero continuar no partido. Temos que virar essa página para buscar novas ideias para contribuir com o Estado”, resume o deputado. Se os tucanos de Goiás tiverem juízo, não há dúvidas que o caminho da virtude será esse mesmo.