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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

15 abr

Projeto político de João Dória, que passa pela mudança do nome do PSDB e por uma “faxina ética” no partido, tem reflexos em Goiás: é um tiro mortal no seu querido amigo Marconi Perillo

O governador de São Paulo João Dória assumiu de fato o comando nacional do PSDB e de imediato abriu duas frentes para o futuro do partido: uma, a mudança do seu nome, através de pesquisa que já foi encomendada, outra, a realização de uma “faxina ética”, destinada a afastar todos os nomes envolvidos em escândalos de corrupção, entre os quais foram citados os ex-governadores do Paraná Beto Richa e de Minas Gerais Eduardo Azeredo.

 

Trocar o nome do PSDB é uma grande bobagem. Não altera em nada a difícil situação dos tucanos, que foram fragorosamente derrotados na eleição do ano passado, com exceção do próprio Dória – o sumo sacerdote e talvez único vitorioso do partido. No máximo, pode ser que, ao descartar essas quatro letrinhas fatídicas, a legenda se livra de um recall negativo e talvez insuperável, principalmente em um país como o Brasil, onde a formalidade e a superficialidade são a marca de uma população ainda aguardando oportunidade para ser melhor educada.

 

Mas a “faxina ética” é coisa séria. E, em Goiás, atinge com um tiro mortal no já politicamente cambaleante ex-governador Marconi Perillo, que tem uma situação jurídica pior que a de Richa ou a de Azeredo ou a dos dois somada, pelo volume de processos com que passou a ser encurralado pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Federal. O detalhe curioso é que Marconi é um dos melhores amigos de João Dória, com quem tem uma longa convivência e a quem prestigiou, quando estava no governo, com milhões em reais em verbas publicitárias para suas revistas e promoções, como o encontro anual de lideranças políticas denominado LIDE, de responsabilidade das empresas do governador paulista – que retribuiu arranjando para o tucano de Goiás, depois da queda, um trabalho para amenizar o ostracismo, ou seja, um contrato de consultoria na poderosa Companhia Siderúrgica Nacional.

 

Ora, se Richa e Azeredo, segundo a estratégia de Dória, precisam ser afastados para que o PSDB fique livre da contagiosa doença moral dos seus associados mais problemáticos, porque seria diferente com Marconi? Estão todos no mesmo balaio judicial, os três com passagem pela cadeia, um deles, Azeredo, até já cumprindo pena e trancafiado por alguns anos. Não há nenhuma diferença entre esses governadores, a não ser quanto a gravidade maior ou menor das delicadas condições atuais em que estão metidos. Não é verdade que pau que dá em Chico também bate em Francisco?

 

Se quiser salvar e levantar o que sobrou do PSDB, o rumo definido por Dória – que tem a pretensão de disputar a presidência da República em 2022 – é acertado, para azar de Marconi.