Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 abr

Aumento da passagem de ônibus, às vésperas do feriado (para evitar reações) e sem qualquer contrapartida das empresas, é ato irresponsável que iguala prefeituras e governo do Estado

Nesta sexta-feira santa, data escolhida para aproveitar o feriado prolongado e esvaziar possíveis reações populares, a passagem de ônibus na Grande Goiânia sobe para R$ 4,30 reais, aumento que foi autorizado pelas prefeituras do entorno da capital e pelo governo do Estado, basicamente os entes que detêm a maioria na Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo.

 

Um deputado estadual (Alysson Lima) e um vereador (Lucas Kitão) integram a CDTC e cumpriram o seu papel votando contra o reajuste, sob a justificativa – corretíssima – de que ele estaria sendo aplicado sem exigência de nenhuma contrapartida por parte das empresas concessionárias. Isso deveria ser um critério mínimo. Quanto ao resto, foi um vexame. E um show de irresponsabilidade. Um dos representantes do governo do Estado na CDTC, o presidente da importantíssima Agência Goiania de Regulação, Eurípedes Barsanulfo, sequer compareceu. A secretária estadual de Meio-Ambiente, Andréa Vulcanis, outra que tem assento na Câmara em nome do governo do Estado, esteve na reunião, mas para votar a favor do aumento – e saiu sem esclarecer por quê o fez? O prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, também membro e gestor da cidade que tem o segundo maior contingente de passageiros do sistema de transporte coletivo, não apareceu. E, para culminar, o prefeito de Goiânia Iris Rezende fez o que nunca fez antes e participou da sessão, votando pela liberação do aumento.

 

A CDTC aprovou a majoração da passagem sem a menor preocupação em dar uma satisfação para a população que é obrigada a andar de ônibus. A exigência de contrapartidas por parte das empresas, por exemplo, é tradição na maioria das capitais brasileiras. Exemplos recentes foram Natal e Belo Horizonte, cujas tarifas só subiram depois de um severo plano de reciprocidades assumido pelos detentores das concessões, que incluíram até o compromisso de gerar mais empregos e trocar, no caso da capital mineira, 30% da frota por ônibus novos, a curto prazo. Além disso, foram obrigados a vender passagens pela internet, para facilitar a vida dos usuários. Em Natal, as empresas vão cuidar dos pontos e suas respectivas coberturas, livrando a prefeitura desse custo, a título de compensação.

 

Em Goiânia, com a conivência as instituições públicas com cadeira na CDTC, as prefeituras principalmente de Goiânia e de Aparecida e o governo do Estado, que têm o dever de cuidar dos interesses da população, as empresas ganharam o que queriam a custo zero. É uma vergonha.