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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

22 abr

Destituição de Lúcia Vânia do comando do PSB em Goiás decorre de regra não escrita seguida pelos partidos: cúpulas nacionais só entregam os diretórios nos Estados a quem tem mandato no Congresso

Era mais do que previsível. Simplesmente inevitável. A destituição da ex-senadora Lúcia Vânia do comando estadual do PSB estava destinada a acontecer desde que ela perdeu a reeleição, em 7 de outubro do ano passado, em razão de uma regra não escrita seguida religiosamente por todos os partidos políticos brasileiros de alguma expressão: as cúpulas nacionais só entregam os diretórios nos Estados a quem tem mandato no Congresso Nacional. No caso do PSB, o novo presidente será o recém-eleito deputado federal Elias Vaz.

 

Não adianta espernear. Do ponto de vista dos dirigentes dos diretórios nacionais, nada é mais importante do que o número de cadeiras no Senado e mais especialmente ainda na Câmara. Primeiro, pelo poder de barganha que as bancadas adquirem conforme o seu tamanho nas decisões sobre projetos de importância. Segundo, pelo acesso ao bilionário fundo partidário, que destina dinheiro para as legendas conforme o quantitativo de deputados federais, essa, hoje, a principal preocupação de todas as agremiações.

 

Lúcia Vânia, portanto, assim que foi derrotada, ficou sem utilidade e passou a ser um corpo estranho que fatalmente acabaria rejeitado pelo PSB, partido que se propõe um perfil ideológico, mas, na prática, é fisiológico como qualquer outro – de olho no fluxo de caixa. Quem não tem mandato, assim, não é prioridade do partido. Foi o que aconteceu com Lúcia Vânia. Defenestrada do PSB, ela anuncia que vai para o Cidadania, antigo PPS, partido que, no momento, é dirigido em Goiás pelo seu sobrinho Marcos Abrão. Atenção: Marcos Abrão também dançou na reeleição, junto com a tia. Daí, se algum político com mandato federal se interessar pelo Cidadania goiano, ele será colocado para fora em questão de minutos. A ex-senadora, portanto, está dando mais um passo perigoso.