Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 abr

Se há um prognóstico a ser tirado dos primeiros meses de Caiado, é que o seu governo será rotineiro, contido, de reorganização do Estado e pouco ousado na definição de novas propostas ou rumos

Se continuar no ritmo e estilo que mostrou até aqui, perto de iniciar o quinto mês do seu mandato, o governador Ronaldo Caiado deverá fazer uma gestão dentro de padrões rotineiros, voltado para a reorganização do Estado, incluída aqui uma solução para a crise fiscal e o consequente advento de uma certa racionalidade financeira – até onde for possível em termos de poder público. E o governador que o suceder – ele já disse que não será candidato à reeleição – receberá uma herança benigna e poderá levar Goiás a um novo salto de desenvolvimento.

 

Caiado já mostrou que não é de ousadias ou vôos de águia, mas antes dominado por uma extrema prudência e, em vez dos olhos nos céus, pés muito pregados no chão. Dizem que não confia nem na própria sombra. Suas características pessoais de autossuficiência parecem preencher a ausência de um perfil executivo, próprio de quem passou a vida dando expediente no Congresso Nacional – onde se fala muito e se decide pouco. Disparadamente, ele é o governador de Goiás mais verborrágico da história, a ponto até de se comprometer e de se desgastar sem necessidade pelos seus excessos orais, a exemplo da promessa que fez, para compensar a pança que deu nos servidores quanto ao pagamento de dezembro, de que no seu governo a folha de pessoal seria quitada dentro do mês trabalhado. Não deu certo, tal como avisou a secretária da Economia Cristiane Schmidt, logo que tomou conhecimento da notícia.

 

O pagamento só foi feito dentro do mês em janeiro. Daí em diante, desandou e teve mês em que só foi finalizado depois do dia 10. O assunto, a propósito, tornou-se a rosa dos ventos da administração de Caiado. Folha de pessoal, em Goiás, é tema de qualquer conversa de botequim ou de mesa de almoço de domingo. Isso prejudicou o novo governo e a sua imagem. Fora a questão dos salários, o espaço ocupado foi o das medidas de economia – sempre anunciadas sem comprovação fática – e das denúncias contra os governos passados, pontos que deverão ocupar a agenda do Palácio das Esmeraldas daqui até o último dia de Caiado. Podem apostar, leitora e leitor.

 

O que fez e faz falta, desde a eleição, é a formulação de um projeto de futuro, algo mais consistente, enfim, sobre o que o governador deseja para Goiás, globalmente, além das meras medidas internas de sistematização da máquina administrativa. Mas nem nesse particular, que parece ser o seu forte, Caiado avançou, adiando sucessivamente a dita segunda parte da sua reforma administrativa, depois de uma primeira parte nada alvissareira, que, no final das contas, terminou aumentando o tamanho do governo e expandindo as suas despesas. Está passando da hora de dizer o que pretende para Goiás.

 

Leia mais aqui