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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 maio

Agronegócio será o maior prejudicado caso Caiado consiga desviar recursos do FCO para o seu governo: só neste ano, o fundo celebrou 2.687 contratos rurais e apenas apenas 514 operações empresariais

O setor da economia cuja defesa foi a tônica da carreira política do governador Ronaldo Caiado – o agronegócio – será o maior prejudicado caso venha a se concretizar a proposta de desvio de um terço dos recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste, o FCO, para bancar gastos do governo de Goiás com obras infraestrutura e também com custeio (pagamento de pessoal e manutenção da máquina).

 

É uma ironia e tanto: pela primeira vez investido em um cargo executivo, quando passou a ter poderes para fazer algo de concreto pelo segmento que sempre deu sustentação para as suas eleições parlamentares, Caiado resolveu agora a caminhar em sentido contrário. Fazendeiros e empreendedores rurais, em Goiás, compõem a maior clientela do FCO – somente neste ano, em janeiro, fevereiro e março, eles assinaram 2.687 contratos de crédito com o fundo, para investimento em suas propriedades e negócios, enquanto o empresariado urbano fechou apenas 514 operações, no mesmo período. E, mais importante, todos pagando uma taxa de juros, anual, entre 5 e 6,5%, que não se encontra disponível em nenhuma outra fonte de financiamento.

 

Para 2019, o orçamento do FCO para Goiás foi ampliado e chegou a quase R$ 3,2 bilhões, dos quais cerca de R$ 1 bilhão já foram aplicados, apenas nos três primeiros meses do ano, com 80% desse dinheiro absorvido pelo agronegócio. O mais fiel e habitual eleitorado de Caiado, assim, será quem mais vai perder com a mordida que ele quer aplicar no fundo, tirando da iniciativa privada e enfiando no saco sem fundo das despesas do governo de Goiás.

 

Leia mais aqui sobre a proposta de Caiado para o FCO.