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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 maio

Pesquisa qualitativa encomendada pela Adial revela: Caiado e Bolsonaro trouxeram frustração para os goianos, ninguém acredita em “Estado quebrado” e passa da hora do governo mostrar serviço

Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado – Adial encomendou duas pesquisas e não apenas uma ao instituto Fortiori, ambas destinadas a avaliar a opinião da população sobre a questão dos incentivos fiscais e a atração de indústrias para Goiás. A primeira pesquisa, quantitativa, foi amplamente divulgada e mostrou que é quase total o desconhecimento sobre a distribuição de benesses tributárias às empresas e que é aprovado, sim, qualquer esforço para buscar novos investimentos industriais para incrementar a economia estadual. Já a segunda, de natureza qualitativa, acabou caindo na discrição e não foi repassada ao conhecimento público. Mas ela é importante porque aprofunda o conhecimento sobre o que está na cabeça dos goianos quanto ao momento social e econômico, inclusive em relação ao governo Ronaldo Caiado.

 

Caiado e Jair Bolsonaro frustraram as expectativas, concluíram os grupos que foram ouvidos para a pesquisa qualitativa da Adial. Há ainda a esperança de que possam reagir, dado ao tempo reduzido em que estão no governo. Em relação ao governador, há um sentimento de cansaço com o seu discurso de dificuldades herdadas do passado. Não é bem aceita a tese do “Estado quebrado” propalada diariamente por Caiado. Algumas frases recolhidas dos grupos são enfáticas. “Entra dinheiro, e muito, todo mês. Como é que pode quebrar?”, perguntou um dos participantes da pesquisa. Outro questionou: ““Se o Estado está quebrado, tem que tirar do próprio governo que é inchado e não das empresas que geram empregos”, que serve como uma luva como contraponto para a proposta subtrair recursos do FCO para enfiar no saco sem fundo do governo. E ainda: “”Manda esse povo trabalhar”, como disse uma mulher que foi ouvida em Rio Verde. Ou seja: o “povo”, quer dizer, Caiado e Bolsonaro, está passando da hora de mostrar serviço.

 

A pesquisa qualitativa deixa claro, ainda, que as indústrias instaladas em Goiás são vistas com simpatia pela população, principalmente pelos empregos gerados. Mas nem tudo é um mar de rosas. Há preocupação com os danos ambientais, consciência que parece generalizada hoje entre os habitantes do Estado. E uma convicção de que, como retribuição a vantagens como os incentivos fiscais, não basta apenas gerar empregos (por sinal, houve muita reclamação quanto aos salários pagos), sendo necessária um atuação social e econômica mais forte em benefício da coletividade.

 

Veja aqui a íntegra da pesquisa qualitativa da Adial sobre a industrialização em Goiás.